O presente espaço destina-se a relatar, sem quaisquer propósitos políticos ou ideológicos - apenas com rigor histórico -, vários aspectos referentes à antiga organização de juventude: Mocidade Portuguesa (1936-1974), também conhecida por M.P., e está aberto à colaboração de todos os que o desejarem fazer.
Inclui o projecto «MOCIDADE PARA UM MILHÃO», um estudo teórico, que apenas existe neste blogue.
Conclusão prevista: 3 a 4 anos.
Contacto: jorgecarvalho@mail.telepac.pt
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A Organização DOS rapazes, PARA os rapazes e PELOS rapazes foi extinta em 1966, quando a reforma do ministro Galvão Telles lhe retirou os rapazes (filiados), entregou os «centros» às escolas, e a transformou, assim, numa espécie de direcção-geral de actividades circum-escolares. Voltou às origens com a reforma Veiga Simão, pelo Decreto-Lei n.º 486/71 de 8 de Novembro. Mas os novos "associados" estavam tão preocupados com a sua modernização, que acabaram por a descaracterizar completamente. Foi definitivamente extinta a 25 de Abril de 1974. |
terça-feira, 13 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Mocidade Portuguesa. Centros Escolares Primários.
Actividades Gerais. Escalão de Lusitos.
PÁGINA EM CONSTRUÇÃO
1. - Os «centros escolares primários» eram aqueles a quem a Mocidade devia ter dedicado a maior atenção, percebendo, de uma vez por todas, que os professores, jamais poderiam desempenhar as funções dos graduados e dos «chefes-de-quina». E que o sucesso da instrução neste escalão ia-se reflectir nos restantes. Até porque, a maior parte dos professores, eram professoras, com naturais dificuldades em se adaptarem ao tipo de instrução definida para os Lusitos, sendo, por isso, completamente inúteis as muitas afirmações de que os professores primários eram os dirigentes natos, etc., etc. Que eles pudessem ser os dirigentes responsáveis, ou equiparados, até aí tudo bem. Agora, quanto à instrução, eles precisavam de ser apoiados, como os demais dirigentes em todos os outros Centros.
2. - Numa primeira fase, seriam os «centros-extra-escolares», numa boa parte dos casos, até com as sua sedes nessas escolas, continuadores da sua acção pedagógica e educativa. Embora, também apoiados, noutros casos, por destacamentos dos «centros-escolares da proximidade, pelas «formações-de-comando» da Ala (região ou concelho), e dos corpos de «chefes-de-quina» de outros «corpos-orgânicos, aliás, a Mocidade necessitava da existência de muitos «corpos-orgânicos», tantos, quantos os necessários para enquadrar e dinamizar um efectivo perto de um milhão de filiados.
3. - Infelizmente, a pouca dinâmica de quem dirigia e o conservadorismo de estruturas pouco viradas para a acção, fizeram com que a Organização se amarrasse a um esquema único, que, apesar de algumas virtudes, não conseguiu evitar o excesso de defeitos, fazendo com que as «Directivas» anuais, difundidas pelo Comissariado, raramente surpreendessem com algo de novo e vigoroso. Isto, para não esquecer que elas nem sequer chegavam à mãos de todos os interessados. Bem, e assim foi a Mocidade "mirrando" para mal de todos e benefício de ninguém.
4. - É claro que não se pode deixar de reconhecer, o imenso contingente que os alunos do ensino primário constituíam, face aos demais ramos de ensino, e dos grandes desafios que isso constituía, mas tratava-se de uma questão, cujas origens, se situavam quase um século antes. Era o atraso do nosso sistema de ensino. E a Mocidade e Estado Novo, foram apenas os herdeiros. O que importa neste momento é avaliar se havia ou não condições para ultrapassar a questão. A aposta continua a ser o «sim». Que que era possível embora com grandes esforços, e algum tempo para evoluir do «quase-impossível», para o «semi-possível» e, finalmente, para o «possível», num prazo que nunca seria inferior a dez anos, a partir de 1940. Ponto de partida para a nossa referência de trabalho.
5. - É meu convencimento que que o acolhimento por parte do professorado seria bastante bom. No fundo, todos desejavam que, pelo menos um dia por semana, a actividade escolar fosse diferente. Mas o sucesso dependia em grande parte de uma instrução de qualidade, da boa ordem em que tudo decorresse e da regularidade. Era fundamental saber-se que, no sábado respectivo, a instrução iria mesmo decorrer.
6. - Um dia, ou melhor, durante uns três sábados compareci numa escola primária de Lisboa, para avaliar as possibilidades de se estabelecer uma actividade de forma regular. Já era graduado «comandante-de-falange» e comandava à época a Ala de Lisboa. Os miúdos estavam super-entusiasmados e as professoras, eram todas professoras, acolheram-me com grande interesse e simpatia.Mas eles apenas dispunham de um pequeno pátio nas traseiras aonde só seria possível manter, aquela centena de miúdos em permanente formação e isso era inaceitável. Seria uma maldade que eles não mereciam. Entretanto fui incorporado no Exército e a experiência teve de parar aí. Mas não a esqueci e prometi a mim mesmo que um dia voltaria àquela escola.
7. - E aqui estou eu, tantos anos depois, em defesa daquilo que observei, e que só não pôde ter a esperada continuação, porque, pouco tempo depois de ter regressado do Ultramar a Mocidade acabou. Hoje, aquela escola também já deve ter outras instalações, mais amplas. Entretanto as escolas passaram a ter um tipo de actividades circum-escolares, no caso dos rapazes, pouco virado para o seu robustecimento. Aqui há um mês atrás (Julho de 2013), o Parlamento aprovou uma resolução para que o Governo legislasse no sentido de que se retomasse e reorganizasse o «desporto-escolar». Os rapazes tiveram de esperar quarenta anos, pelo tempo dos seus netos. Mas... mais vale tarde do que nunca.
8. - Mas, voltando aos «velhos tempos». Para além do pessoal para enquadrar os miúdos: «chefes-de-quina», «comandantes-de-castelo» e, eventualmente, um «comandante-de-grupo-de-castelos» e um «cadete-auxiliar-de-instrução». Também seria necessário algum material desportivo, mas não tenho qualquer dúvida de que essa seria a parte mais fácil. A Câmara Municipal, a Junta de Freguesia e os pais não nos deixariam desamparados. O mais importante seria o nosso «querer», pois, quando ele existe, transforma-se em «querer é poder».
9. - Publicadas pela Mocidade, existem em diversas bibliotecas, umas «Directivas para a instrução dos Lusitos». Está bem nos «jogos-educativos», está bem nos passeios e em outros aspectos. Mas, não está nada bem, nem nas «formações e evoluções», nem na abordagem de assuntos que resvalam um pouco para a política. Os miúdos daquela escolas não existiam para serem instrumento da política. Que se deixasse isso para a gente adulta.
10. - As actividades de «Outono-Inverno» teriam nas escolas o local adequado. Na rua com bom-tempo e, na sala de aula, em dias de chuva. Agora o que a todos devia preocupar era sobre o que se iria fazer na «Primavera-Verão». Para o caso do «ensino-primário», a região (ala), devia, desde muito cedo preocupar-se com este assunto e, procurar integrar o seu efectivo numa actividades mais ampla, especificamente para eles organizada. Iniciativas de cada escola também eram possíveis, mas, em termos organizativos, eram mais viáveis as actividades que envolvessem maiores efectivos.
11. - Logo em Outubro, se a escola nunca tivesse participado em nenhuma actividade deste género, deveriam os respectivos órgãos da região (ala) ou do distrito (divisão) serem contactados, ou tomarem a iniciativa de contactar, para acompanhamento do processo organizativo que se iria prolongar por, mais ou menos, seis meses. Entre Outubro e Dezembro era o tempo de reflectir a avaliar como decorreu a actividade anterior. Rever e actualizar o «manual-geral-de-instruções» e recompletar o «corpo-de-formações-de-comando», face a inevitáveis mudanças de interesse.
12. - A partir de Janeiro e até Março, era o tempo de visitar os centros com desejo em participar, e ainda os outros que até então não se tivessem manifestado. Juntamente com a exposição itinerante. Em Abril começavam os concursos para as construções de campo e de rio, mais dos cartazes a utilizar, e de textos e fotos, a publicar no «jornal-de-árvores» ou de «parede». Também as secções de «difusão sonora» começavam a divulgar os temas a concurso: história regional, etnografia, monumentos, etc. Enfim todos os lugares deviam fervilhar de actividade, e ainda ela, a principal, propriamente não havia começado.
13. - Mas, para conhecer melhor o que seria organizado e como, especialmente o «como», o melhor, é ler as colocações sobre os «campos-de-férias». Talvez para as exigências de alguns ainda não seja suficiente, mas será um bom começo. O resto está espalhado por inúmeras colocações, a propósito de tudo e mais alguma coisas. Não faltam oportunidades para expôr as nossas ideias, Só que havia de as ler e aproveitar.
14. - A regulamentação da Mocidade não permitia que os Lusitos participassem em actividades, conjuntamente com Infantes, Vanguardistas e Cadetes, com excepção dos graduados que os enquadravam e, quando falamos em graduados, falamos também em «chefes-de-quina». Sobre os motivos, talvez as possamos imaginar, muito embora, que, rodeando o assunto das cautelas, talvez fosse possível extender essas actividades aos Infantes.
15. - Nas alas (regiões) ou nas divisões (distritos), as «formações-de-comando» estavam divididas consoante as actividades e os escalões dos participantes. Seria fácil encontrar quem se ocupasse dos Lusitos e Infantes, ou de Vanguardistas e Cadetes. Também poderiam existir uma só para Vanguardistas e outra só para Cadetes.
16. - Como também já foi escrito noutras colocações, o ideal seria trazer as crianças das serras e outras terras do interior, para as praias do litoral, e proceder de forma inversa, com os rapazes do litoral. Penso que esta intenção teria o bom acolhimento de todas as entidades, Não excluindo, no entanto, que algumas das actividades, especialmente as de Primavera pudessem ter lugar na região. Competia às «divisões» distritais apoiar as «alas», regiões, nos recursos de material e em pessoal organizador e coordenador.
17. - A regra de ouro, era a preparação de tudo com grande antecedência. A nossa proposta padrão era para um ano. Assim, todas as pequenas dificuldades iam sendo resolvidas a pouco e pouco, sem acumular problemas para o dia da partida, susceptíveis de causar alguma perturbação, quer entre os miúdos, quer entre estes e os organizadores.
18. -
19. -
(continuar)
Mocidade Portuguesa. Centros Escolares.
Estatísticas da Educação. 1950/51. Ensino Primário.
Escolas, Alunos e Professores.
PÁGINA EM CONSTRUÇÃO
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Quadro 18 - Estabelecimentos, alunos e pessoal docento:
Quadro 18 - Página 56.
Quadro 18 - Página 57.
domingo, 11 de agosto de 2013
Mocidade Portuguesa. Centros Escolares Primários.
Estatísticas da Educação. 1950/51. Ensino Primário.
Escolas, Alunos e Professores.
PÁGINA EM CONSTRUÇÃO
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Quadro 3 - Escolas Masculinas e Mistas:
Quadro 3 - Página 8
Quadro 5 - Alunos Inscritos, por Distritos e Concelhos:
Quadro 5 - Página 10
Quadro 5 - Página 11
Quadro 5 - Página 12
Quadro 5 - Página 13
Quadro 5 - Página 14
Quadro 5 - Página 15
Quadro 5 - Página 16
Quadro 5 - Página 17
Quadro 5 - Página 18
Quadro 5 - Alunos Inscritos, por classes e distritos:
Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE)
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Mocidade Portuguesa. Organização de Actividade.
Curso de Formações de Comando.
PÁGINA EM CONSTRUÇÃO
Índice da Organização de Actividades
1. – Organização de Actividades.
3. – Organização de Actividades. Escolas de Quadros.
4. – Organização de Actividades. Época de Outono-Inverno.
5. – Organização de Actividades. Escalão de Lusitos.
6. – Organização de Actividades. Curso de Chefes-de-Quina.
7. – Organização de Actividades. Escalão de Infantes.
8. – Organização de Actividades. Infantes de 1.ª Classe.
9. – Organização de Actividades. Curso de Arvorados-em-Comandantes-de-Castelo.
10. – Organização de Actividades. Escalão de Vanguardistas.
12. – Organização de Actividades. Curso de Comandantes-de-Castelo.
13. – Organização de Actividades. Curso de Comandantes-de-Grupo.
14. – Organização de Actividades. Escalão de Cadetes.
15. – Organização de Actividades. Curso de Comandantes-de-Bandeira.
16. – Organização de Actividades. Curso de Comandantes-de-Falange.
18. – Organização de Actividades. Curso de Cadetes-Auxiliares-de-Instrução.
19. – Organização de Actividades. Dia 1.º de Dezembro (Dia da Mocidade)/Mudança de Escalão.
20. – Organização de Actividades. A Festa de Natal.
21. – Organização de Actividades. Época de Primavera-Verão.
22. – Organização de Actividades. Um Pequeno-Médio Acampamento.
23. – Organização de Actividades. Uma Colónia de Férias.
1. As «formações-de-comando» previstas no «regulamento-de-campismo» e nos normativos que regularam os cursos ministrados nos «centros-de-instrução-de-quadros» foram das decisões de maior importância na vida da Mocidade, mas, infelizmente, muito pouco aproveitada, tal como outras inúmeras coisas.
2. Quanto ao porquê, talvez com o acréscimo de colocações no «Tronco-em-Flor», isso vá dando para se perceber, no entanto, a suspeita de que as funções deste tipo de «corpo-orgânico», assim, uma espécie de «corpo-de-estado-maior» das «unidades» (centros, alas, divisões e serviços-centrais) e «formações» (castelo, grupo-de-castelos, bandeira, falange e agrupamento de falanges), tenha sido alvo de alguma relutância dos «dirigentes-adultos», preocupados com o seu estatuto de poder e autoridade, não é de excluir, ao verem que se consumava um tipo de Organização DOS rapazes, PARA os rapazes e, PELOS rapazes.
3. No entanto, esta era a visão dos grandes pedagogos do princípio dos anos quarenta, que rapidamente se aperceberam da enorme dificuldade em manter um elevado corpo de «dirigentes-adultos», mesmo que semi-profissionais (gratificação), face à grave carência de recursos com que a Mocidade se iria sempre debater.
4. As «formações-de-comando» mais não eram que um corpo de especialistas formados pelos «centros-de-instrução especial» (CIE's) e, em duas fases, pelos «centros-de-instrução-de-quadros» (CIQ's). A primeira, era claramente de especialização e, a segunda, já tinha a ver com o curso de «formações-de-comando». Estes cursos contemplavam a organização de médias e grandes actividades de «Primavera-Verão» e constituíram um excelente recurso à disposição dos vários níveis de comando, agora com novas atribuições. Mas, claro, sempre com o apoio e aconselhamento dos «dirigentes-adultos» que mantinham a capacidade de últimos decisores ou de decisores de recurso.
5. O «chefe» de cada «formação-de-comando» seria sempre o «adjunto» do respectivo «comandante», mas, a «formação» só dependia directamente dele, quando esse «comandante» participasse numa actividade de forma autónoma. Assim acontecia, por exemplo, com um «castelo», caso contrário a sua «formação-de-comando» integrava-se na «formação-de-comando» do «grupo» e, assim sucessivamente, com a «formação-de-comando» do «grupo» a integrar-se na da «bandeira» e, a da «bandeira», na da «falange» e, a da «falange» na do «agrupamento-de-falanges». Na prática tudo dependia do efectivo de filiados envolvidos em cada actividade e do respectivo «comando» atribuído.
6.
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Mocidade Portuguesa. Organização de Actividades.
Cursos de Graduados.
PÁGINA EM CONSTRUÇÃO
Índice:
A - Curso de «Comandantes-de-Castelo».
B - Curso de «Comandantes-de-Grupo-de-Castelos».
C - Curso de «Comandantes-de-Bandeira».
D - Curso de «Comandantes-de-Falange».
1. Desde a regulamentação da Mocidade, pelo Decreto n.º 27.301, de 4 de Dezembro de 1936, que o binómio «dirigente-graduado» foi mal avaliado. De acordo com a legislação que estabelecia a abrangência da Organização e os escalões de frequência obrigatória: Lusitos (7 aos 10 anos) e Infantes (dos 10 aos 14 anos); e os escalões de frequência voluntária: Vanguardistas (dos 14 aos 18 anos) e Cadetes (dos 18 anos aos 21 anos). Que era previsível um contingente próximo de um milhão de filiados. Algo que sem uma classe de dirigente profissional, o seu papel teria que ter a ver mais com a «assistência e o aconselhamento», do que funções executivas de instrutor e organizador de actividades. Mas, para isso muito contribuiu o desempenho dos primeiros dirigentes oriundos do Exército, que trouxeram consigo hábitos não adaptáveis à Mocidade.
2. Nota-se a importância dada ao garbo, ao aprumo, à rigidez da marcha, da cadência do passo, aos alinhamentos, etc. Em tudo se respirava a militar. São exemplos disso o I e o II Acampamentos Nacionais (1337 e 1939) e as actividades em que participaram os filiados acampados (paradas e desfiles). Tanto assim, que os dirigentes em início de carreira, até então conhecidos por «Instrutores», passaram, a partir dos anos quarenta a ser designados por «Assistentes».
3. A grande mudança estava em cursos, mas ainda demorou bastantes anos. Até porque as primeiras gerações de graduados, levados pela inspiração recebida, atrasaram o mais possível o sentido da mudança que pretendia fazer da Mocidade uma Organização DOS rapazes, PARA os rapazes e PELOS rapazes. E dos graduados os verdadeiros instrutores e organizadores das actividades, mesmo das maiores, embora sempre com o acompanhamento e aconselhamento dos dirigentes, que não deixavam de manter a capacidade de aprovação final.
4. É, face a esta mova realidade, que as escolas de graduados tiveram bastante dificuldade em adaptar os seus currículos e os planos de estudo, porque, exactamente à frente delas, estava gente da «velha guarda» e não gente da «nova guarda». Ora para se ser um organizador competente e responsável, os conhecimentos elementares daquelas escolas eram insuficientes, e qualquer acréscimo, tinha dificuldade em «encaixar» em três semanas de internato, mais uma semana de campo. Este período era aceitável desde que antecedido por um período de ensino à distância entre seis meses e um ano, e o fornecimento de documentação de estudo de nível adequado.
5. Nas próprias escolas de graduados o ensino seria ministrado por graduados mais antigos e de patente mais elevada. Mas aqui como em todos os outros postos de comando, e instrução a organização seria sempre DOS rapazes, PARA os rapazes e PELOS rapazes, embora com o acompanhamento e aconselhamento dos «dirigentes-adultos», que, apesar da sua carência ao nível geral, eram, mesmo assim, suficientes para este tipo de funções. Assim se melhorasse igualmente o seu nível de qualificações.
6. Este incremento na participação dos graduados-instrutores, tinha muito a ver com o aumento significativo do número de escolas de graduados que habilitavam graduados «comandantes-de-castelo» e «comandantes-de-grupo-de-castelo», que deveriam passar a existir em todas as capitais de distrito, mas, reservando, apenas as escolas de Lisboa, Porto e Coimbra, para a graduação de «comandantes-de-bandeira» e de «comandantes-de-falange».
7. Também estava em causa as novas funções dos graduados «comandantes-de-castelo», que deixavam de apenas comandar «castelos», para se poderem tornar adjuntos do «comandante-do-grupo-de-castelos» e «chefes» da «formação-de-comando» do «grupo-de-castelos», o mesmo acontecendo com os «comandantes-de-grupo» em relação à «bandeira», e com os «comandantes-de-bandeira» em relação à «falange». Aqui apenas se iriam considerar as noções elementares, uma vez que, as complementares e finais, seriam ministradas nos cursos específicos para «formações-de-comando» a ministrar nos «centros-de-instrução-de-quadros», também existentes nas capitais de distrito.
8. Para além de muitos outros detalhes, que serão abordadas nas colocações referentes aos vários cursos, um assunto transversal a todos eles, era a sensibilidade da sua relação com os «cadetes-auxiliares-de-instrução» uma nova classe de «quase-dirigentes», destinada a superar a carência de «dirigentes-adultos», essencialmente oriundos das «formações-de-comando» e de graduados, consoante a especialidade, pelos «centros-de-instrução-especial e também pelos «centros-de-instrução-de-quadros». Paralelamente, também existiam os «cadetes-monitores-estagiários», mas, estes oriundos da «carreira-de-comando», ou seja, da «carreira-de-graduados».
9. Dirigentes como o Professor Dr. Gonçalves Rodrigues, Comissário Nacional, até 1956, e o Tenente-Coronel Luís Ribeiro Viana, Comissário Macional-Adjunto, na mesma época, ambos apoiantes de uma Mocidade assente numa classe de dirigentes profissionais, ainda tentaram no início da fase nacional do II Congresso Nacional, em 1956, apelar aos bons-ofícios do ministro da Educação, Professor Eng.º Francisco de Paula Leite Pinto, que, curiosamente, havia sido o secretário-geral do I Congresso da M.P., em 1939. Mas o Governo não estava para aí virado. As suas preocupações, ao tempo, estavam na Índia e na defesa militar do Ultramar, em geral.
10. O subsecretário de estado da Educação, Dr. Baltazar Rebello de Sousa, que havia sido «graduado-comandante-de-falange», «ajudante-de-campo» do Comissário Nacional, Professor Dr. Marcello Caetano e, depois, dirigente da Organização, ainda tentou fazer uma aposta nos graduados, com o apoio dispensado aos vários «Encontros», dos quais pouco depois resultou a criação do «Corpo Nacional de Graduados» (CNG), e dos corpos distritais e regionais de graduados e dos respectivos comandos. Mas a iniciativa era demasiado frágil para ser bem sucedida. o que havia a fazer era muito mais do que isso. Mas, apesar de tudo, conseguiu-se o "desabrochar" do «Talha-Mar», jornal dos graduados, que se manteve até aos anos setenta.
11.
(continua)
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Mocidade Portuguesa. Organização de Actividades.
Activação de Um Centro.
PÁGINA EM CONSTRUÇÃO
Sumário:
A - Introdução.
B - Actividades Gerais.
C - Actividades Desportivas.
D - Actividades Culturais
E - Curso de Chefes de Quina.Introdução
F - Actividades de Primavera-Verão.
G - Secções do Centro.
A - INTRODUÇÃO:
1. As ideias expostas, referem-se a uma situação, semi-verídica, que não foi comum à maioria dos Centros, embora acontecesse com alguma frequência e, portanto, dela podemos recolher alguns ensinamentos muito úteis. Trata-se do caso de um «comandante-de-castelo» de 16 anos que foi chamado ao director do Centro (e Escola), para lhe ser proposto que assumisse o comando do Centro. Antes, neste Centro, que correspondeu a uma Escola Industrial, havia funcionado um outro Centro de uma Escola Técnica Elementar, que, entretanto, se mudara para novas instalações. Os quadros existentes, tinham ido quase todos com o efectivo do outro Centro, e o da Escola Industrial ficara numa situação quase-deserta. Apenas ficaram alguns, muito poucos. Este comandante-de-castelo, ainda, por cima, havia estado apresentado para serviço/aprendizagem num centro de instrução especial de transmissões, aonde recebeu instrução do «alfabeto morse» para transmissões rádio-eléctricas, por outro lado, a sua experiência resumia a uma vivência turbulenta, numa outra Escola Técnica Elementar, também muito velhinha, e sem espaço para acolher as várias formações do 1.º e do 2.º ano. Praticamente, três grupos de castelos em cada um dos anos.
2. Os dois comandantes-de-castelo existentes, pertenciam a uma Escola Comercial e estavam ali em regime de «destacamento». Só não se chamava assim, porque as transferências não obedeciam a um qualquer procedimento organizado, e os centros andavam a “roubar” quadros uns aos outros. Os tais «comandantes-de-castelo», ficaram como comandantes, respectivamente, um do 1.º ano, e o outros do 2.º ano, e estavam, na prática, a tentar exercer as funções de graduados «comandantes-de-bandeira», sem estarem para isso qualificados, nem terem cada um os seus quadros de 3 «comandantes-de-grupo-de-castelos», 9 «comandantes-de-castelo» e de 45 «chefes-de-quina», para já não falar nas
respectivas «formações-de-comando». Para salvar a "honra do convento" havia por lá uns 8 a 10 «chefes-de-quina» de promoção muito recente. E no tocante a dirigentes, começaram por existir 2 e mais tarde 3, mas que muito pouco podiam fazer, dada a ausência de graduados e de «chefes-de-quina».
3. A miudagem era o normal, alegres e turbulentos, mas incapazes de encontrar interesse naquelas infindáveis sessões de “marcar-passo”, a única forma de se tentar manter uma certa “ordem” no meio de uma semi-desordem. No final de cada sessão de instrução, os dirigentes sempre se reuniam connosco, graduados e «chefes-de-quina» em busca de uma possível solução milagreira, que consistia “em fazer omeletes sem ovos”. Eu era um dos tais chefes de quina que havia feito o curso no ano anterior, e ainda andava às voltas com o problema do “mando”, que resulta sempre ou da falta de qualificação ou de experiência. A minha vinda para a Mocidade, resultava do facto, em que no ano anterior, em que o bom-senso havia prevalecido, funcionando o Centro aos sábados à tarde com uma classe de transmissões (castelo), para voluntários, orientada pelo único dirigente-adulto existente. Aos domingos de manhã funcionava o curso de «chefes-de-quina», também para voluntários, e orientado por um «Cadete-Auxiliar-de-Instrução». Correu tudo bem, e ainda hoje, volvidos mais de 50 anos, me lembro dos seus nome.
4. Sinceramente, não sei de quem tenha sido a ideia de "fazer omeletes sem ovos", mas julgo não me enganar ao apontar para a questão dos fardamentos. Pois de acordo com as normas em vigor, os pais tinham sido obrigados a comprar a farda da Mocidade e, os rapazinhos, não podiam passar os restantes anos da obrigatoriedade, sem fazerem uso dos uniformes, que muito havia pesado no orçamento da família. Por isso avançou-se, mas avançou-se mal, porque a Mocidade não se fazia só de fardamentos novos.
5. A questão das «formações-e-evoluções», tinha a ver com a tentativa de estabelecer um pouco de ordem, naquela pequena multidão. Mas o resultado foi um fracasso. Depois, a "moda" à época, era manter os rapazes de pé em formatura, durante a hora de instrução de cada um dos anos. Pior um pouco, ao fim de um curto período de tempo, eles estavam exaustos e desatentos. Não esqueçam de que estamos a falar de Infantes. Curiosamente, nunca percebi porque razão eles não se podiam sentar no chão, em «círculo» ou em «U». Mas... mandava quem podia e cumpria quem devia!
6. E, em resumo, o que é que a miudagem aprendeu? A relação entre algumas formações da Mocidade (quinas, castelos, grupos e bandeiras) e a bandeira de D. João I, que também era a bandeira e emblema da Mocidade, algumas noções da hierarquia da Organização, mas que por falta de material exemplificativo, entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Sobre a vida no campo, nada. Apenas no meu curso de «chefe-de-quina» se treinara a montagem e desmontagem da tenda canadiana de modelo M.P., o resto, para aqueles pobres rapazes, apenas: Esquerdo! Direito! Op! Dois!. Firme! Sentido! Esquerda Vol-ver! Direita Vol-ver! Em Frente-Marche! Marcar-Passo! e Alto! Não era uma maldade. Nenhum de nós sentiu isso. Foi apenas, como já disse, uma tentativa de manter alguma ordem, naquele pequena multidão. As responsabilidades e os responsáveis, teremos oportunidade de comentar ao longo das muitas colocações.
7. O horário de instrução de 1 hora, uma vez por semana, era manifestamente insuficiente. Era preferível terem instrução de quinze em quinze dias, durante duas ou três horas e um pequeno intervalo pelo meio. Mas, verdadeiramente bom era que a instrução continuasse em regime de voluntariado, pelo menos, enquanto não tivesse-mos os quadros suficientes. Poder-se-ia acrescentar aos tais voluntários das «transmissões» um outro «castelo» de «reconhecimento, orientação e topografia», e outro ainda, de «campismo». Isso estava ao nosso alcance, e não iria saturar ninguém. Mas faltavam ideias, ou melhor, faltava poder e autoridade, e eu já não tinha paciência e parti para as «transmissões» E era mais um graduado que o Centro perdia, pois, entretanto, havia frequentado o curso de inverno da Escola Nacional de Graduados (ENG), aonde concluí o curso de «comandantes-de-castelo, com a classificação de «muito-apto»- Era-mos 6 ou 7 entre 50.
8. Mas julgo que já é tempo de voltar a falar do meu novo Centro. Ser «comandante-de-centro» não era novo para mim. No outro Centro já havia exercido essas funções a partir do final de 1959/60 e depois durante 1960/61. Uma das características do que havia sido o novo Centro, eram as excelentes instalações da sua sede.
9. Infelizmente, com a partida da Escola Técnica Elementar, apenas sobrara uma mini-secretaria e o depósito de material para a Escola Industrial. Os antigos ocupantes, levaram a biblioteca, mas o material ficou. E isso foi o mais importante. Tínhamos todo o material de campismo necessário para um «castelo». Julgo que se tratou de uma "herança" do V ou do VI Acampamento Nacional. Mas, por razões que ainda hoje me arrependo, fizemos dele muito pouco uso.
10. Pouco depois de ser nomeado, já estávamos no 3.º período de 1962/63, ainda publicámos uns três «jornais de parede», mensais. Passou pelo Centro um aluno-filiado ilustrador que era um artísta. Depois viram as férias e, com a concordância do meu director, fui frequentar o curso de «comandantes-de-bandeira». Mas andei por lá a arrastar-me. Ainda era muito novo, no Verão de 1963, tinha só 16 anos, a idade certa para ser «comandante-de-grupo-de-castelos». Por isso continuo a defender, que, a idade certa para o curso de «comandantes-de-bandeira», eram os 18 anos. Eventualmente antecedidos por um ano, ou ultrapassados por 1 a 2. Tudo dependendo da compleição física de candidato, no caso de antecipação, e de outros factores no caso de ultrapassagem.
10. Devido a uma má ou incompleta influência da disciplina «Organização dos Centros», elaborei um plano de actividades muito abrangente, e em completa desintonia com o efectivo de filiados que se haviam apresentado. Mas, com a melhor das boas vontades o meu director aceitou, e até se envolveu na apresentação pública. Mas tudo aquilo estava errado. Eu devia ter começado com os pés assentes na realidade, e não em qualquer esquema teórico. Apesar disso ao longo dos três anos seguintes, durante os quais me mantive como comandante do Centro, fui bem sucedido noutras actividades, designadamente para Vanguardistas. A «secção-de-difusão-sonora» conhecida como «Rádio Juventude», cuja história irá preencher um espaço bem alargado noutra colocação, e a «equipa de futebol», para a qual se conseguiu reunir a verba necessária para a compra do equipamento.
11. Quanto ao que poderemos chamar de «actividades-gerais» o caminho a seguir devia ter sido muito mais simples. O facto de eu possuir a graduação de «comandante-de-bandeira» não significava que eu teria de comandar uma «bandeira», pelo menos ali. Nem tinha de considerar que, pelo facto de todos os alunos terem contribuído com uma quota em dinheiro para o Centro, fossem filiados com direito a actividades. O problema da quotização nada tinha a ver comigo, e esses contributos só poderiam ser expressivos para financiar tudo o que fosse mais ou menos desejável, ao fim de dez ou quinze anos, algo que me ultrapassava completamente.
12. Já agora, também fomos muito bem sucedidos com a «festa-de-encerramento-da-época-Outono-Inverno. As apresentações voluntárias para colaborar, ultrapassaram sempre as vagas existente. E o nosso pequeno teatro ficou sempre repleto de famílias, colegas e amigos. O que já não acontecia há décadas, nem voltou a acontecer depois disso. A chave do sucesso, foi a minha capacidade de delegar sempre tudo em todos. Embora não tenham sido festas 100% ao estilo M.P., conseguiu-se um certo equilíbrio aceitável. O maior problema é que não tínhamos especialistas para ensaiar os rapazes. Fez-se o que se pôde.
13. Mas, voltando, uma vez mais, ao «comandante-de-bandeira»/«chefe-de-quina» ou, talvez «comandante-de-castelo». Não me devia ter preocupado com isso. Tudo tem sempre um ponto de começo. O resto depende da nossa qualificação e da força anímica que nos motiva. Em boa verdade o efectivo não era bem o de uma «quina». Talvez mais ou menos o de um «castelo» e eu tinha de assumir as funções respectivas. Começando por organizar as primeiras «quinas» que até não necessitavam de estar completas. Essencialmente havia que começar por aproveitar os «chefes-de-quina» apresentados para serviço. Um, dois ou três, e distribuindo os filiados por essas novas «quinas». Se o número de filiados fosse superior, havia que os distribuir provisoriamente pelas «quinas» existente, como elementos supranumerários. Ao mesmo tempo que se iniciava um «curso-de-chefes-de-quina». Não era relevante que este curso apenas começásse com dois ou três filiados-candidatos Outros filiados iriam sendo escolhidos a pouco e pouco. Importante é que existisse regularidade no funcionamento das actividades, neste caso, em todos os sábados à tarde.
14. Começar às 14:00 horas com uma pequena formatura de 5 minutos, com todos em «linha» dado o pequeno efectivo, para proceder ao içar das bandeiras e cantar a «Marcha da Mocidade». Era uma pequena cerimónia protocolar, mas de grande significado. No final, às 16:00 horas, a cerimónia repetia-se para arrear as bandeiras, mas desta vez catava-se o «Hino Nacional». A Mocidade era uma Organização patriótica e estes dois hinos representavam isso mesmo. Estes 5 minutos a mais, eram suficientes para treinar algumas posições a «pé-firme», coisa de um ou dois minutos.
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(continua)
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