Contacto: jorgecarvalho@mail.telepac.pt

MARCOS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL
DESTAQUE


Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Batalha. Leiria.



Painéis de São Vicente de Fora.



Torre de Belém. Lisboa.



Estátua equestre de El-Rei D. João IV. Em frente ao Paço Ducal. Vila Viçosa



A Organização DOS rapazes, PARA os rapazes e PELOS rapazes foi extinta em 1966, quando a reforma do ministro Galvão Telles lhe retirou os rapazes (filiados), entregou os «centros» às escolas, e a transformou, assim, numa espécie de direcção-geral de actividades circum-escolares.

Voltou às origens com a reforma Veiga Simão, pelo Decreto-Lei n.º 486/71 de 8 de Novembro.

Mas os novos "associados" estavam tão preocupados com a sua modernização, que acabaram por a descaracterizar completamente.

Foi definitivamente extinta a 25 de Abril de 1974.


domingo, 4 de agosto de 2013

Mocidade Portuguesa. Organização de Actividades.




PÁGINA EM CONSTRUÇÃO



Índice da Organização de Actividades

1. – Organização de Actividades.
3. – Organização de Actividades. Escolas de Quadros.
4. – Organização de Actividades. Época de Outono-Inverno.
5. – Organização de Actividades. Escalão de Lusitos.
6. – Organização de Actividades. Curso de Chefes-de-Quina.
7. – Organização de Actividades. Escalão de Infantes.
8. – Organização de Actividades. Infantes de 1.ª Classe.
9. – Organização de Actividades. Curso de Arvorados-em-Comandantes-de-Castelo.
10. – Organização de Actividades. Escalão de Vanguardistas.
12. – Organização de Actividades. Curso de Comandantes-de-Castelo.
13. – Organização de Actividades. Curso de Comandantes-de-Grupo.
14. – Organização de Actividades. Escalão de Cadetes.
15. – Organização de Actividades. Curso de Comandantes-de-Bandeira.
16. – Organização de Actividades. Curso de Comandantes-de-Falange.
17. – Organização de Actividades. Curso de Formações-de-Comando
18. – Organização de Actividades. Curso de Cadetes-Auxiliares-de-Instrução.
19. – Organização de Actividades. Dia 1.º de Dezembro (Dia da Mocidade)/Mudança de Escalão.
20. – Organização de Actividades. A Festa de Natal.
21. – Organização de Actividades. Época de Primavera-Verão.
22. – Organização de Actividades. Um Pequeno-Médio Acampamento.
23. – Organização de Actividades. Uma Colónia de Férias.



1.      A importância destes textos prende-se com o facto de nos estar-mos a referir a uma Organização com mais de 1 milhão de filiados (1.027.309) e, cerca de 14.921 centros, conforme a própria Mocidade assume nas «Estatísticas da Educação» de 1960/61 (pág. 85). O número de dirigentes não o conhecemos, neste momento, exactamente quantos teve e por quantos anos se mantiveram. Mas podemos avaliar quantos seriam necessários para enquadrar este vasto efectivo. O mesmo sucedendo com os graduados e as «formações-de-comando». Ainda, quanto aos graduados, sabe-se que até a 1960 teriam sido formados mais de dez mil graduados.

2.      Conhecendo-se a missão de todos eles, não é difícil estabelecer um quadro-orgânico e avaliar as implicações do seu recrutamento, formação e procedimentos para assegurar a sua «retensão-nas-fileiras». É, de facto, uma tarefa gigantesca, mas possível de conduzir ao seu sucesso, desde que cada um não se amedronte e esteja disposto a cumprir a sua parte. Que cumpra apenas a sua parte e nada mais. É pelo menos isso que se pretende demonstrar com o blogue «Tronco-em-Flor».

3.      A ideia de que bastava recrutar alguns dirigentes, e formar uns quantos graduados é de uma insuficiência confrangedora, que roça mesmo alguns extremos da ignorância. O enquadramento de um milhão de rapazes implicava a existência de dezenas ou até talvez mesmo de centenas de corpos organizados, perfeitamente distintos, mas harmonizados por uma cadeia de moderadores, muitas vezes, mais de voluntário entendimento e cooperação, do que regido por uma qualquer hierarquia.

4.      E que não se estranhe estas palavras, porque as cadeias hierárquicas do tipo militar, só são possíveis de estabelecer, quando estamos a lidar com profissionais ou semiprofissionais, isto é, uma Organização de adultos, o que a Mocidade não era. Ela só for reconhecida e aceite pelos seus principais pedagogos e estou-me a referir ao Professor Marcello Caetano, comissário nacional, e ao Dr. Alberto da Silveira Ramos, inspector do quadro-geral, por ser uma Organização DOS rapazes, PARA os rapazes, e PELOS rapazes. Embora alguns dos antigos graduados, sonhassem, mais tarde, já então como dirigentes, continuarem a sua acção nos mesmos moldes anteriores.

5.      Que, no entanto, não se interprete mal o que aqui fica escrito, pois sempre existiram dirigentes, com um perfeito entendimento dessa sua nova relação com os rapazes, e com uma dedicação tal, que nem o mais vasto conjunto de medalhas, seria suficiente, para constituir o público e suficiente reconhecimento da sua acção.

6.      Em diversas colocações tenho insistido nas «Formações-de-Comando», para coadjuvar a missão dos graduados, e nos «Cadetes-Auxiliares-de-Instrução» para superar a angustiante falta de dirigentes. Quer sobre uns e sobre os outros, estão colocados textos muito detalhados, que ajudarão a entender o seu insubstituível papel. Também se fala se fala dos «Monitores Estagiários» ou, se preferirem, dos «Cadetes Monitores Estagiários». É mais um dos tais corpos, este, porém, oriundo do corpo de graduados.

7.      Também falaremos dos cursos de formação de todos eles. O mesmo acontecendo com os cursos de promoção de graduados. Os cursos existiram por longos anos. Mas da maioria saíam graduados pouco preparados para a natureza das missões que os esperava. O «Talha-mar», como o jornal do Corpo Nacional de Graduados (CNG), publicou-se durante muitos anos, mas, de uma maneira geral, reflectiu a falta de formação dos seus destinatários e as pequenas equipas que se conseguiram reunir no Comissariado. Daí o pequeno desenvolvimento nos temas, embora a parte gráfica fosse bastante boa. Ao longo de todo o seu tempo de existência manteve a periocidade mensal, o que foi muito bom.

8.      Reservou-se um bom espaço para distinguir as actividades de Outono-Inverno das de Primavera-Verão. As «Directivas» para as «actividades-gerais», assim eram conhecidas as actividades «não especiais», mas que, na prática, apenas contemplavam as actividades de «Outono-Inverno». Aquelas que constituíam a parte teórica e tiveram lugar nos pátios das escolas e liceus. Nas escolas a instrução era apenas ao sábado à tarde, e nos liceus nas tardes de quarta-feira e de sábado.

9.      O grande propósito de todo este trabalho, é tentar demonstrar que sem as actividades de «Primavera-Verão», as outras perdiam o seu sentido, constituindo uma grande estopada para quem foi obrigado a frequentar a instrução. Em parte alguma da legislação referente à Mocidade, encontramos qualquer dispensa das actividades de «Primavera-Verão», tendo-se apenas estabelecido os dias reservados à instrução do «Outono-Inverno». Uma vez mais, é à impreparação dos dirigentes, que temos de atribuir uma carência, à qual não tenho a menor dúvida em atribuir o declínio da Organização, a partir de meados dos anos quarenta.

10.   Claro que também podemos atribuir esse declínio a um afrouxar do interesse do Estado. Se nos detivermos sobre as finalidades que envolveram a aparecimento da Mocidade, fácil se torna ler nas entrelinhas um propósito de pré-mobilização da juventude face às nuvens negras da guerra que se avizinhava, e cuja guerra civil de Espanha, eclodiu aqui mesmo ao lado, praticamente um mês depois de criada a Mocidade.

11.   A partir dos anos quarenta, as relações exteriores do país, já apontavam para uma orientação política diferente e, é neste contexto que o Eng.º Nobre Guedes, um germanófilo assumido, é enviado como embaixador para Berlim, enquanto, substituído no cargo de Comissário Nacional, pelo Professor Marcello Caetano, um anglófilo, e com grandes simpatias pelo movimento escutista. Foi pela sua mão que o Dr. Alberto da Silveira Ramos veio do Algarve, aonde leccionava no Liceu de Faro, e que tinha sido, como inspector do quadro-geral, Delegado Provincial do Algarve e Comandante (Director) da ERGA, a Escola Regional de Graduados do Algarve. Aqui em Lisboa, este dirigente, também antigo chefe escutista, além de passar a leccionar no Liceu Passos Manuel, acrescentou, às importantes lições que antes já havia escrito no Algarve, uma ampla e profícua acção que acompanhou a Mocidade até ao fim dos seus dias. Também vem dessa época a presença e colaboração de um outro chefe escutista, o Dr. Tovar de Lemos.

12.   Ao referirmo-nos à instrução do escalão de LUSITOS, temos, forçosamente, de reconhecer a função indispensável do pessoal «destacado», para auxiliar em centros aonde a maioria dos dirigentes (ou equiparados) eram professoras. A diferença entre professoras e professores, era quase de 9 para 1. Os professores, em geral, davam aulas a rapazes, mas as professoras repartiam-se pelos dois sexos, embora seja possível chegar a um número aproximado. Também não podemos deixar de mencionar o exagero da instrução de «formações e evoluções» para crianças dos sete aos dez anos, e na insistência em terem os miúdos fardados (não nos esqueçamos da pobreza da época). Quem escreveu isso devia ter uma certa propensão para andar a brincar aos soldados. Um emblema da M.P., sobre o bolso da bata branca, já era muito bom, e o mesmo para os novos «chefes-de-quina» quando chegava coser uma das insígnias do outro lado do peito.

13.   Procura-se reconhecer aos «Arvorados-em-Comandantes-de-Castelo», que, à época, era apenas uma «situação», a de substitutos dos «Comandantes-de-Castelo» em falta, aquilo que na realidade aconteceu em todos os centros, aonde eram entendidos mais como «um posto» de que como uma «situação». Na realidade eles “encaixavam” muito bem, como adjuntos dos «Comandantes-de-Castelo» e chefes das «Formações-de-Comando» dos castelos, donde constavam mais um chefe-de-quina e dois filiados.

14.  Várias outras colocações proporcionam uma visão nova, relativa à formação de graduados, não só quanto ao aumento do número de cursos, como quanto aos conteúdos. Por não existirem cursos de «Comandante-de-Grupo-de-Castelos» (eram promovidos por mérito), chegou-se a uma situação muito estranha: a da existência de mais graduados- comandantes-de-bandeira (posto superior) do que graduados comandantes-de-grupo-de-castelos (posto inferior), quando a relação devia ser de 1 CB para 4 CG’s. Também se reforça a exigência na formação de CB’s para os capacitar para a organização das grandes actividades de «Primavera-Verão», o que não fazia parte dos programas das Escola Nacional de Graduados (ENG), sediada nos arredores de Lisboa, na Quinta da Graça, junto ao Estádio Nacional e ao INEF, actual faculdade de Motricidade Humana. De igual modo se aborda a situação dos graduados «Comandantes-de-Falange» (CF’s), cujos cursos chegaram a existir na à época Escola Central de Graduados (ECG/ENG), por razões que também tinham a ver com as grandes actividades.

15.  São igualmente contemplados, os cursos de «Cadetes-Auxiliares-de-Instrução», cuja formação tanto decorreu nos centros de instrução especial, principalmente no que se referia às actividades náuticas, e as das restantes especialidades, ou noutros centros de instrução especial, como era o caso do atletismo, da ginástica e da esgrima, e os que teriam lugar nos «Centros de Instrução de Quadros» (C.I.Q,’s).

16.  A formação de «Chefes-de-Quina» recebe um grande impulso, com a existência de cursos nos «centros-escolares-primários» e com a nomeação obrigatória de instrutores, entre Graduados e «Cadetes-Auxiliares de Instrução». Estes cursos começam a beneficiar de um outro enquadramento na progressão na carreira dos filiados. Embora se continuasse a respeitar que ninguém é obrigado a ser «Chefe-de-Quina» e que por isso mesmo continua a ter acesso às provas para Infante de 1.ª Classe, que lhe poderão proporcionar um acesso tardio à promoção a «Chefe-de-Quina», «Arvorado-em-Comandante-de-Castelo», ou até à frequência do curso de «Comandante-de-Castelo» na escola de graduados.

17.  Esquema sugerido para a promoção*:
CQ – 10 anos (9 – 12 anos)
ACC – 12 anos (11 – 13 anos)
CC – 14 anos (13 – 16 anos)
CG – 16 anos (15 – 18 anos)
CB – 18 anos (17 – 19 anos)
CF – 20 anos (19 – 22 anos)


18.  Os cursos de «Instrutores-Provisórios-de-Instrução-Geral», também conhecidos por «cursos de orientação de dirigentes», ou simplesmente, por «cursos de orientação» para «Assistentes», segundo uma concepção mais recente, seriam igualmente ministrados nos Centros de Instrução de Quadros (CIQ’s) que, a par das escolas regionais de graduados, seriam os estabelecimentos de ensino da Mocidade, a existir, primeiro nas capitais provinciais, e depois, nas cidades sedes de distrito. O anterior esquema de escolas de graduados em Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Ponta Delgada e Funchal, havia se revelado manifestamente insuficiente para as novas necessidades de Quadros, tendo como propósito enquadrar um milhão de filiados.

19.  Uma área que merece um destaque especial tem a ver com a «Retenção-nas-Fileiras» de Vanguardistas e de Cadetes. E, mais do que isso, as acções desenvolvidas pela Mocidade, junto daqueles que tendo sido graduados ou cadetes auxiliares de instrução, estejam a cumprir o serviço militar, Em caso algum a Organização deveria perder o contacto. O «Programa-de-Retenção-nas-Fileiras» devia continuar a abrangê-los. Todo o sistema global que aqui se defende, podia ficar gravemente comprometido, por qualquer negligência no âmbito deste Programa. É evidente que o «Programa» teria alguns custos, mas, o resultado expectável justificava essa despesa, que, de resto, até seria absolvida em parte, pela sociedade civil, como iria absorver grande parte das demais despesas.

20.


21.


22.


(continuação)



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Mocidade Portuguesa. Captação de Recursos.
Subsídios de Particulares.



PÁGINA EM CONSTRUÇÃO


Índice da Captação de Recursos:

5. Captação de Recursos. Apoios Diversos.
6. Captação de Recursos. Subsídios de Corpos Administrativos.
7. Captação de Recursos. Subsídios do Estado. Ministério da Educação.
8. Captação de Recursos. Subsídios do Estado. Ministério do Ultramar.
9. Captação de Recursos. Subsídios do Estado. Ministério do Exército.
10. Captação de Recursos. Subsídios do Estado. Ministério da Marinha.
11. Captação de Recursos. Subsídios do Estado. Secretaria de Estado da Aeronáutica.



1. – Quem esperasse ser bem-sucedido, logo da primeira vez em que batesse à porta de um particular. Era evidente que não estava preparado para a missão. Necessitava de muita paciência e persistência, para encontrar a forma de obter uma resposta favorável, que, até poderia só chegar daí a vários meses, ou apenas, nos anos seguintes. Grande parte das entidades com potencial poderiam ser contactadas, mas tinham que ficar em carteira, a esperar pela altura própria. Este seria um caso padrão. As respostas imediatas, salvo algumas circunstâncias, haveria que anotar com uma certa reserva.

2. – Depois, não valia a pena estar a pedir ajuda às gentes de Castelo Branco, para as férias dos lisboetas, excepto se a actividade decorresse mesmo à sua porta. As ajudas prováveis seriam para as férias dos rapazes da região. E, mesmo assim, teria que ser tudo muito bem explicado. Quem eram os rapazes, quantos eram, aonde iriam decorrer as actividades Primavera-Verão e em que consistiam. Mesmo correndo o risco de não aceitarem, era bom que fossem convidados para assistir à visita da «equipa de divulgação» e vissem a «exposição itinerante».

3. – O óptimo mesmo, é que fossem convidados e acompanhados por «amigos do centro» ou centros. Mais uma tarefa para estes «amigos». É possível ficar-se com uma ideia daquilo que se pretendia dos filiados e quadros dos centros, ao conseguirem como meta, um número de adesões como «amigos» de 50% do efectivo do centro, em dez anos de esforços consecutivos.

4. – Para os pais dos filiados em actividade nos centros, talvez não fosse possível ser assim tão ambiciosos. Eles tinham de ajudar os filhos a pagar a sua própria quota para centro, a adquirir o uniforme da M.P., o fato de ginástica, e ainda, a pagar a sua contribuição individual para as actividades de Primavera-Verão.

5. – Talvez fosse mais viável de atingir o objectivo anterior, com os filiados adultos prestes a abandonarem as fileiras da Organização, quer continuassem ou não como dirigentes. A manutenção de um certo vínculo à Organização, muito dependeria da forma como se tivessem envolvido nas actividades de Vanguardistas e Cadetes, fosse qual fosse o centro ou centros a que estiveram ligados.

6. – Um «amigo do centro» não podia ser apenas uma entidade a quem se cobrava uma quota. Se assim fosse, eles apenas se manteriam por muito pouco tempo. Ele tinha mesmo de ser o «amigo» que aparecia com frequência e até era convidado a participar nalgumas actividades. O seu parecer e sugestões eram apreciadas e respeitadas como quem ouve um irmão mais velho.

7. – Seria, sem dúvida, por seu intermédio que outros «amigos», antigos alunos ou não, se tornariam parceiros igualmente activos. Três condições eram no entanto necessárias: a primeira que lhe chegassem todas as publicações de informação distribuídas pelo centro, embora editadas pelo Comissariado ou pela delegação provincial/distrital; a segunda, que o seu contributo financeiro cobrisse pelo menos essas despesas; e, por fim, que ele interiorizasse o seu dever de captar também outros «amigos».

8. – Noutras colocações falaremos mais especificamente sobre o «amigo do centro» e do muito que deles se esperava. Contudo, pareceu-nos apropriado, ao falar de «recursos financeiros» falar um pouco do que deles se esperava neste domínio. Mas há mais. O «amigo do centro» seria uma presença obrigatória nas festas e outros eventos que o centro promovesse para angariar fundos. Vinha ele, vinha a família e vinham os amigos do «amigo». Se o centro tivesse entre 25 e 50 «amigos», não seria utópico esperar, que, por seu intermédio comparecessem entre 250 e 500 pessoas. Assim se encontrasse um espaço de acolher semelhante lotação, à qual, ainda havia que juntar a dos próprios filiados e dos seus pais, irmãos e avós.

9. – Mas, o assunto dos «subsídios de particulares», ainda está muito longe de se esgotar. A primeira necessidade a satisfazer era assegurar a «sustentabilidade» do centro, isto era, os recursos para as despesas permanentes. Mas, para se saber quais, havia que se saber de que centro se estava a falar. A maior parte seriam centros-escolares-primários, aonde encontravam alojamento os centros-extra-escolares e que eram a continuação natural dos anteriores, numa época em que a maior parte dos alunos não continuavam a estudar. Assim sendo, haveria apenas uma partilha de despesas com a água, a luz, a limpeza, a aquisição de material desportivo e outro necessário às actividades-gerais de Outono-Inverno.

10. – Seria absolutamente supérfluo cada um dos centros ter o seu material quando partilhavam a mesma casa. Mas isso não impedia, pelo contrário, até recomendava, que o material fosse cuidadosamente utilizado e periodicamente conferido em quantidade e estado, com o visto das duas entidades. O rigor seria a melhor base para a confiança. Mas sobre centros-escolares-primários e centros-extra-escolares falaremos melhor noutras colocações. O assunto apenas veio à conversa por causa da «angariação de fundos».

11. – O princípio, era sempre o da partilha de recursos. Quem fosse «amigo» de um centro, era-o também do outro. Para as festas e outras iniciativas, ambos contribuíam e, por isso mesmo, repartiam os proveitos, muito embora as actividades de Primavera-Verão pudessem ter lugar em locais diferentes. Em regra, os Lusitos não se misturavam com os Infantes, Vanguardistas e cadetes, nos mesmos «campos/colónias de férias» especialmente, com estes dois últimos escalões. O centro-escolar-primário tinha os Lusitos e alguns Infantes, enquanto o centro-extra-escolar era frequentado pelos restantes Infantes, mais os Vanguardistas e os Cadetes. Embora fosse uma importante missão sua incentivar os rapazes a continuarem os estudos.

12. – Tudo era repartido: fossem as batatas, as cebolas, os nabos e as alfaces e couves que conseguissem angariar junto das gentes abastadas da região, tal como, os chouriços, o azeite, o vinho e os animais de criação. No caso de efectivos diferentes, procurariam uma divisão proporcional. O mesmo se aplicava às ofertas em dinheiro, salvo o desejo expresso dos ofertantes.

13. – Mas se o principal beneficiário fosse o centro-escolar-primário, também a divisão não estaria fora do justo valor, porque os filiados do centro-extra-escolar já teriam algumas ocupações na agricultura ou na pecuária da família, obtendo desse forma proventos adicionais que os Lusitos não tinham, além de que, em conformidade com o regulamento de campismo, os Lusitos estavam dispensados de cozinhar devido à sua pouca idade, havendo por isso de contratar um cozinheiro e um ajudante.

14. – No entanto cada um dos centros teria o se provisor, para combinarem a forma de recolher e repartir as ofertas, tendo ainda como preocupação de assegurar o seu armazenamento de forma a manter intactas as características de qualidade. O propósito deste espaço não é esgotar assuntos que teriam um melhor desenvolvimento nos «manuais de instrução» dos eventos, como já foi dito, e que resultariam de exaustivas apreciações rectro-espectivas e prospectivas.

15. – Voltando às festas para angariação de fundos, um modelo muito promissor era o da «Chama-de-Mocidade» realizadas a céu-aberto desde que o tempo o permitisse. Além de ambos os centros contribuírem, não seria de excluir a vinda de grupos de outros centros da região. Numa permuta que poderia vir a funcionar nos dois ou mais sentidos. Claro que para assistir à «Chama» mão se vendem bilhetes, mas haveria sempre a possibilidades de vender umas rifas para objectos a sortear.

16. – Quanto à coordenação de todos estes esforços, a figura central seria sempre a do «Subdelegado-Regional», apoiado por algum seu adjunto e, por parte dos centros, pelos «Cadetes-Auxiliares-de-Instrução», os graduados e as suas «formações de comando» caso existissem, as quais incluiriam alguns filiados, chefes-de-quina e arvorados.

17. – Outras formas dos centros angariarem também alguns fundos, era executarem tarefas para a comunidades. Coisas simples, que estivessem ao alcance de cada um. As tarefas dos Lusitos e Infantes, naturalmente que teriam de ser diferentes das dos Vanguardistas e Cadetes. Trabalhos de limpeza de caminhos rurais, reconstrução de cercas e de muros, desobstrução de pequenos cursos de água, ordenha de animais, etc. Os beneficiários tanto poderiam ser particulares como a própria autarquia.

18. – Nesta linha de tarefas, também se poderia considerar a construção de pequenos objectos que seriam mais tarde vendidos, por exemplo, por ocasião do Natal. Neste caso os centros masculinos até se poderiam juntar aos centros femininos para umas vendas em conjunto, não só pelo Natal, como a propósito do «Dia-da-Mãe», o «Dia-do-Pai», ou outras datas da tradição local. Trabalhos de encadernação também podiam estar ao alcance dos Vanguardistas e dos Cadetes.

18. –

19. –

20. –


(continua)



quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Mocidade Portuguesa. Captação de Recursos.
Patrocinadores de Actividades.




PÁGINA EM CONSTRUÇÃO



Índice da Captação de Recursos:

4. Captação de Recursos. Subsídios de Particulares.
5. Captação de Recursos. Apoios Diversos.
6. Captação de Recursos. Subsídios de Corpos Administrativos.
7. Captação de Recursos. Subsídios do Estado. Ministério da Educação.
8. Captação de Recursos. Subsídios do Estado. Ministério do Ultramar.
9. Captação de Recursos. Subsídios do Estado. Ministério do Exército.



1. - Em diversas colocações, foi referida a necessidade da Organização procurar recursos financeiros e outros, fora da dotação do Estado que mal chegava para uns quantos encargos fixos, designadamente com o pequeno corpo de funcionários administrativos dos serviços centrais, em Lisboa, e com o ainda mais pequeno corpo das secretarias das delegações provinciais/distritais.

2. - Por falta de recursos a Mocidade tornou-se numa Organização pouco atraente, pois apenas assegurava as actividades de Outono-Inverno sob a forma de uma instrução-geral em que os rapazes quase nunca saíam dos limites dos pátios das suas escolas ou liceus.

3. - Apenas e com grande dificuldade lá ia subsidiando alguns acampamentos nas férias da Páscoa, mas, dos quais, só beneficiavam os quadros dos centros: graduados, chefes-de-quina arvorados e mais alguns – poucos – filiados.

4.  - O planeamento de abrangentes programas de actividades de Primavera-Verão, só seria possível com uma grande comparticipação da sociedade civil, algo que muitos dirigentes não achavam compatível com o estatuto que pensavam ter adquirido, e que os impedia de andar de “mão estendida”.

5. – Tratava-se, sem dúvida, de uma visão distorcida, pois nenhum deles andaria a pedir nada para si, mas sim para as actividades dos rapazes. O pouco que se conseguiu, apesar de tudo, foi junto dos corpos autónomos do Estado (governadores civis, juntas distritais, câmaras municipais e juntas de freguesia).

6. – O recurso à sociedade civil era um “bater à porta” das famílias, especialmente as mais abastadas, e dos empresários agrícolas e de todas as áreas, industriais e comerciais, de cada região.

7. – Nem sempre o altruísmo destas entidades chegava ao ponto da oferta desinteressada, por isso, havia que ultrapassar alguns preconceitos e de uma forma clara, expor o que se pretendia realizar com as actividades Primavera-Verão, o muito elevado número de rapazes que seriam beneficiados e de que forma. O nome dessas entidades tinham que se tornados públicos, acrescentando o valor ou a natureza dos seus contributos.

8. – A título exemplificativo, quando se precisasse de bidons de 50, 100 ou 200 litros, para conjuntos flutuadores destinados às construções de campo e, mas especificamente, as construções de rio, albufeira ou lagoa, havia que procurar algum material em bom estado, junto da Sacor, Shell e BP, ou outros grandes utilizadores.

9. – Era provável que as ofertas não chegassem para as necessidades, mas, entre algumas ofertas e outras cedências a um preço mais reduzido, estava dado um grande passo, no sentido de levar a bom termo os propósitos da Mocidade.

10. – Claro que, independentemente de colocar nos locais de utilização umas placas com o logotipo dos ofertantes, havia que lhes remeter folhetos, mini-cartazes e exemplares dos boletins informativos editados para esclarecimento dos filiados que iriam participar em tais eventos.

11. – Depois, era de uma importância absoluta, convidar os líderes dessas empresas ou seus representantes, para visitarem os eventos e os locais, aonde o material estava a ser utilizado, sempre com a presença do operador foto-cine de serviço, para que, juntamente com os agradecimentos finais, seguissem umas quantas fotografias e material para a exibição do filme do evento. Também convinha não esquecer o estojo com a placa da actividade, como era de uso habitual da Mocidade.

12. – E, claro, das conversas de circunstância, sempre podia ficar uma ideia daquilo que se poderia pretender em anos seguintes. Mas, voltando aos «conjuntos flutuadores», o projecto inicial apenas podia contemplar uma pequena quantidade para um primeiro local ou mais do que isso. Só com a continuação dos anos seria possível acumular uma quantidade expressiva em diferentes depósitos.

13. – Quando a Mocidade, nas «Estatísticas da Educação» (INE) do ano de 1960/61 (pág. 85), assume ter um efectivo superior a um milhão de jovens filiados (1.027.300) e cerca de 14.921 centros. Isso dá-nos uma ideia da dimensão e complexidade das desejáveis actividades de Primavera-Verão. Algo que só por via de esforços continuados podia vir a conseguir-se.

14. – E, também não seria difícil de perceber que não seriam necessários «conjuntos flutuantes» para as actividades de um milhão de rapazes. As centenas ou mesmo milhares de colónias de férias, não iriam ter todas as mesmas características. Mais, não teriam mesmo, para que de ano para ano os rapazes tivessem a oportunidade de viver experiências diferentes.

15. – Independentemente dos modelos, que um simples raciocínio nos poderá sugerir, salta à vista a importância de usar diversos tipos de construção em madeira, em corda e um intenso uso de lonas e oleados para toldos, isso leva-nos a uma multiplicidade de entidades e empresas de tipos diferentes, e a um percurso de mais do que 20 anos, tempo considerado razoável para reunir toda a quantidade necessária. Bem, depois disso, já seria o tempo provável para começar a substituir o material mais antigo, entretanto atingido pelo limite de duração.

16. – Bem, penso que deu para perceber que muitos tipos de «campos de férias» ou de sectores específicos dentro da maioria deles, ia realmente necessitar dos tais patrocinadores. E ainda não se mencionaram as quantidades, aqui menores, mas de uma diversidade de milhares de pequenos itens, utilizáveis na canoagem, no remo, na vela, na natação, no campismo e noutras actividades desportivas ou de lazer.

17. – Nem tudo poderiam se ofertas, a aquisição de uma boa parte, mesmo a preços com grandes descontos, iriam exigir a mobilização dos subsídios de outras entidades e instituições, nos quais incluiremos umas dezenas de milhares de «amigos dos centros» e a realização de eventos, durante o Outono-Inverno, especificamente destinados à obtenção de fundos, para ajudar as actividades Primavera-Verão.

18. – Contudo, a figura do «patrocinador de actividade» deveria continuar a merecer a mais cuidadosa atenção, e grandes esforços de captação e acarinhamento. Finalmente teriam de não ser esquecidos os diversos pavilhões que teriam de ser erguidos nas cidades capitais de distrito, para depósito dos materiais, ou então, de um grande depósito na região de Lisboa, ou talvez até as duas coisas. Atenção, mais outro ou outros projectos, para os quais havia que procurar recursos.

19. – Sob o ponto de vista organizativo havia que criar uma Direcção de Serviços de Material, no Comissariado Nacional, que depois se replicariam por quase duas dezenas de chefias de serviço ao nível Provincial/distrital e de quem dependeriam os tais depósitos. Estas estruturas organizativas além de estudarem, classificarem e de fomentarem a construção de conjuntos modulares e normalizados de equipamentos, articulavam-se de forma transversal com as equipas responsáveis pela realização dos muitos eventos, avaliando projectos e satisfazendo os seus pedidos.

20. –

21. –  

22. –



(continua)




terça-feira, 30 de julho de 2013

Mocidade Portuguesa. Captação de Recursos.
A Importante Função de Subdelegado Regional.





PÁGINA EM CONSTRUÇÃO


Índice da Captação de Recursos:

1. Captação de Recursos. Sustentabilidade.
2. Captação de Recursos. A Importante Função de Subdelegado Regional
3. Captação de Recursos. Subsídios do Estado.
4. Captação de Recursos. Subsídios de Corpos Administrativos.
5. Captação de Recursos. Subsídios de Particulares.
6. Captação de Recursos. Patrocinadores de Actividades.
7. Captação de Recursos. Apoios Diversos.


1.Na orgânica da Mocidade a região ou ala era uma circunscrição que podia incluir centros-escolares-primários, centros-escolares e centros-extra-escolares de duas ou mais freguesias de um mesmo concelho, ou de concelhos contíguos, assumindo o nome do concelho a que se reportassem um maior número de Centros.

2. À medida que a Organização se foi expandindo, as províncias/distritos passaram a ter Centros em quase todos os concelhos do Continente e Ilhas Adjacente, atingindo um impressionante número e Unidades e de filiados, cuja existência e funcionamento, em muito se ficou a dever à dedicação, espírito bem servir e dinamismo dos subdelegados regionais.

3. O subdelegado regional, apesar de deter a graduação de subinspector, em regra do quadro-geral, era bem mais do que uma mera figura institucional, porque, sendo ele que trabalhava mais próximo das populações rurais, grande número de tarefas recaíam sob a sua responsabilidade. Nas regiões aonde se situavam as principais cidades, estas coincidiam com as sedes das divisões, essa tarefa competia ao delegado provincial/distrital (inspector) ou ao seu adjunto (subinspector).

4. Assim, era o subdelegado regional que coordenava a atribuição de pessoal destacado, para enquadrar as formações dos centros sob a sua responsabilidade, articulando-se com os serviços da delegação distrital e, estes, com os Centros iriam ceder o pessoal em regime de destacamento. Os recursos que um qualquer Centro carecia eram de natureza material e financeira, mas não, necessariamente, em exclusivo. O pessoal instrutor era também das primeiras necessidades.

5. Era o subdelegado distrital que comparecia junto dos professores/professoras primárias para lhe dar o ânimo necessário e os recursos para activarem os seus centros escolares primários. Com frequência um ou dois graduados-comandantes-de-castelo, mais cinco ou dez chefes de quina, noutras um comandante-de-grupo-de-castelos e as respectivas formações de comando, e de uma maneira geral 1 ou 2 Cadetes-Auxiliares-de-Instrução. Porque os dirigentes-adultos que havia não chegavam para todos os Centros.

6. Entre Janeiro e Março, com a instrução de Outono-Inverno já a decorrer, começariam a chegar ao Centro as equipas de divulgação das actividades de Primavera-Verão. Cada Centro tanto podia realizar as suas, como aderir a outros eventos de maior amplitude.

7. Se o Centro optasse por uma iniciativa própria por ter uma formação equivalente a um grupo-de-castelos ou superior, então, a equipa organizadora já estaria, entre Outubro e Dezembro, a apresentar o seu relatório do último Verão e a estudar as melhoria a introduzir para o próximo ano, no Manual de Instruções, se possível, em conjunto com os novos “reforços” em pessoal que iriam receber para a Primavera-Verão.

8. No caso dos centros escolares primários, os encargos seriam um pouco superiores, pois havia que contratar uma equipa para a cozinha. Os Lusitos eram o único escalão dispensado de confeccionar a própria comida, por serem ainda muito novos.

9. Tal como com os restantes Centros, a partir de Janeiro e até Março, já o subdelegado regional e o seu adjunto se andavam a desdobrar em contactos junto das famílias para saber quais os lusitos que tinham condições por si só, ou quais os que iriam necessitar de apoio material. Era também a oportunidade do subdelegado saber quais as famílias teriam possibilidade de dispensar um contributo um pouco maior, para apoiar os menos favorecidos.

10. A ideia era levar para as serras, rios e albufeiras do interior, os rapazes do litoral. E trazer do interior, aqueles para quem uma temporada na praia seria salutar. Tentar-se-ia alojar os lusitos em regime de «acantonamento» em estabelecimentos de ensino, completa ou parcialmente preparados para os receber. Claro que haveria escolas completamente preparadas para fornecerem serviços de cama, mesa e roupa lavada. Outras necessitariam de algum equipamento a solicitar ao exército pelas entidades provinciais/distritais. Mas, com tempo tudo se arranjava. Daí o nosso «plano de organização anual».

11. No caso das actividades de praia, tal como nas de campo, o enquadramento e actividades seria assegurado pelas equipas de organização e o subdelegado teria a obrigação de visitar todos os locais aonde estivessem rapazes da sua Região, para se inteirar do bom funcionamento e do elevado nível moral e de satisfação de todos os rapazes. Tendo todos os locais de «acampamento» e de «acantonamento» linhas telefónicas, os seus contactos tal como o dos pais, poderiam tornar-se mais frequentes.

12. Na verdade, e tal como já foi escrito em diversas colocações, só com a ajuda da sociedade civil, é que a Mocidade poderia realizar com sucesso tão ambicioso programa de actividades Primavera-Verão. Aqui, os subdelegados regionais, graças aos seus bons contactos com a câmara ou câmaras municipais, juntas de freguesias e outros organismos locais, é que poderiam ir tomando conhecimento sobre os agricultores mais abastados. Aqueles que poderiam oferecer um saco de batatas ou cebolas, ou de frutos, mais ainda, legumes e outas espécies da sua pecuária. Não podia se esperar tudo das mesmas pessoas, mas, “grão a grão enche a galinha o papo…”.

13. Para as deslocações, desde que pedidos com a necessária antecedência, não seria difícil aceitar a oferta de um industrial de transportes local para levar de autocarro, os miúdos, para o seu local de férias. Uns estariam disponíveis só para a ida, enquanto outros, talvez para a ida e a volta. O caminho-de-ferro também oferecia condições especiais de transporte para a Mocidade.

14. Num caso típico, um agricultor ofereceu um porco ou um cabrito. Haverá que procurar quem abata esses animais. Talvez a camara e o matador municipal do local de origem se disponibilizem a ajudar. Noutros casos serão os do destino. Mas é preciso não esquecer a necessidade de uma arca frigorífica para manter as carnes em boas condições de conservação. É claro que estas coisas tratadas à última hora tornam-se complicadas, mas, planeado com antecedência, tudo se torna mais fácil.

15. Uma tarefa indispensável, é manifestar o nosso reconhecimento. E a confiança sairá reforçada. Isso pode ser feito, por exemplo, convidando as professoras a visitar os seus alunos nos locais aonde estão de férias e assegurar o transporte e o alojamento. O jantar pode ser na colónia/acampamento e até assistir, depois, à «Chama da Mocidade».

16. O mesmo, não podemos deixar de fazer com os tais agricultores abastados, com o presidente da Câmara e com o presidente da Junta de Freguesia. Alguns pais também poderão manifestar vontade de visitar os seus filhos. O subdelegado deve mostrar-se atento a tudo isto.

17. É de acreditar que, tal como os demais, a câmara municipal e a junta de freguesia, já tivessem começado a considerar nos seus orçamentos anuais uma verba para estes subsídios. Mas tudo continua a depender da forma como o subdelegado se articular com estas entidades.

18. O subdelegado, quando visitar os seus centros numa freguesia, não pôde deixar de ir cumprimentar o prior, que, ao mesmo tempo, deve ser o capelão dos centros, e em conjunto, procurarem incentivar os rapazes a assistir à missa dominical, o mesmo sucedendo, quanto a cumprimentos, com o presidente da Junta de Freguesia, e o presidente da colectividade local, pois, em muitas circunstâncias, precisará da cedência de algum espaço desportivo em horas conciliáveis.

19. O chefe escutista também não deve ser esquecido. Somos irmãos de uma mesma caminhada. Se, por exemplo, eles tiverem alguma falta de material, que pudéssemos ajudar a superar, deviam contar connosco, e da mesma maneira por lá houvesse uns candeeiros que nos faltavam, também ficaríamos agradecidos. Sempre amigos. Era igualmente importante convidar os escuteiros a participarem nas nossas actividades de Primavera-Verão. Nada de viver de costas voltadas.

20. Muitos dos que se disponham a ler estas linhas, vão ter sérias dúvidas quanto à possibilidade de se ter conseguido um voluntariado de tantos Vanguardistas e Cadetes. Nada mais fácil se tivesse sido o próprio subdelegado a exortar os rapazes, juntando a sua voz à dos demais, para lhes fazer ver a importância das suas missões, tanto em actividades próprias dos seu escalão, como nas indispensáveis funções de apoio aos Lusitos e Infantes, e até Vanguardistas, para o caso dos Cadetes.

21.

22.

23.


(continua)




segunda-feira, 29 de julho de 2013

Mocidade Portuguesa. Captação de Recursos. Sustentabilidade.



PÁGINA EM CONSTRUÇÃO


Índice da Captação de Recursos:

1. Captação de Recursos. Sustentabilidade.
2. Captação de Recursos. Subsídios do Estado.
3. Captação de Recursos. Subsídios de Corpos Administrativos.
4. Captação de Recursos. Subsídios de Particulares.
5. Captação de Recursos. Patrocinadores de Actividades.
6. Captação de Recursos. Apoios Diversos.



1. – Ao longo dos anos, a Organização, viveu: do contributo anual dos seus filiados; de uma percentagem da exploração das cantinas escolares (refeitório, bufete e papelaria); de doações dos «amigos do centros» e de uns subsídios concedidos por parte do Estado e dos Corpos Autónomos (governos civis, juntas distritais, câmaras municipais e até juntas de freguesia). Também se registaram muitas ofertas de particulares.

2. – Mas, apesar da boa vontade de muitos, aos quais a Mocidade desde logo se mostrou agradecida (ver a inúmeras referências em ordens de serviço da Organização), estes dinheiros e outras ofertas sempre estiveram muito longe De satisfazer as suas necessidades básicas.

3. – A verba mais significativa era o subsídio do Estado, saído, em geral, a verba era inscrita no orçamento do Estado para despesas dos gabinetes dos ministros da Educação e do Ultramar, consoante a natureza das despesas. E assim aconteceu devido não só a uma certa confidencialidade no uso de tais recursos, como, principalmente, pelo facto da Organização não se enquadrar nos procedimentos legislativos relativos à inscrição de receitas e despesas, adoptadas pelo Estado.

4. – As despesas da Mocidade resumiam-se à manutenção de um pequeno corpo de funcionários administrativos, existentes no Comissariado Nacional, em Lisboa, e a muito pequenas secretarias e depósitos de material, nas Delegações Distritais, além, claro, das gratificações atribuídas aos dirigentes-adultos, sem qualquer vínculo profissional ao ministério da Educação, para ajuda de pequenas despesas resultantes do exercício das suas funções como instrutores/assistentes dos vários tipos de Centros.

5. – Para as actividades, os subsídios eram atribuídos caso a caso e, raramente, permitiam apoiar mais do que aquelas que contemplavam a formação de quadros, como era o caso das escolas de graduados e dos acampamentos distritais de quadros, aonde, apesar da sua insignificância o ministro comparecia como visitante, para cer e avaliar.

6. – É possível encontrar nas «contas gerais do Estado», referentes aos vários anos em que a Organização existiu, o valor inscrito sob a designação de «Mocidade Portuguesa» na conta referente ao Gabinete do Ministro da Educação. E o blogue «Tronco-em-Flor», irá proceder a essa divulgação, quer em termos absolutos, quer em sentido relativo ao seu valor actual.

7. – Os anos de maiores verbas atribuídas, foram aqueles em que se realizaram acampamentos nacionais ou equiparados (1.º acampamento -1936, 2.º acampamento -1939, 3.ºacampamento -1944, 4.º acampamento -1956, 5.º acampamento -1958, 6.º acampamento -1963, 7.º acampamento -1966) aonde a verba mais significativa tinha a ver com a alimentação dos dirigentes e dos filiados acampados. No caso das representações ultramarinas, estas vinham com as despesas suportadas pelo ministério do Ultramar.

8. – Contudo, seja qual for o ângulo, pelo qual este assunto seja apreciado, a conclusão é sempre a mesma. A Organização nunca passou de uma instituição indigente. Estendendo a mão aqui e ali, para poder ir cumprindo a sua missão, face a quase um milhão de filiados, uns voluntários, mas, a maioria, obrigados por força de lei.

9. – É claro que alguns maus hábitos nasceram com o próprio aparecimento e afirmação da Mocidade na segunda metade dos anos trinta. Foi um tempo de acampamentos/alojamento para os participantes em grandes desfiles e paradas. Gastou-se dinheiro com fardamentos e alimentação tipo rancho-geral. E alguns , por engano, pensaram que isso podia continuar a ser assim. Puro equívoco.

10. – Embora nos anos quarenta, cinquenta e sessenta, outros grandes acampamentos se tenham realizado. A Organização continuou a viver acima das suas posses e, ao gastais tais verbas que só beneficiavam um milhar ou dois de rapazes, deixava na penúria a realização de outras, as muito necessárias actividades de Verão, por esse país fora.

11. – Não nos vamos alongar muito mais, aqui, na análise dos tais grandes acampamentos e das suas motivações, porque isso será feito noutra ou noutras colocações mais específicas.

12. – No princípio dos anos quarenta, o Professor Marcello Caetano, comissário nacional e, a partir dessa época, considerado o principal doutrinador da Mocidade, depressa se apercebeu que muita coisa precisava de mudar, a começar pelo «rancho-geral», isto é, que cada dirigente e filiado deveria custear a sua alimentação e contribuir para a sua confecção. Era ainda um primeiro passo, mas um passo importante.

13. – Não era no Estado, mas sim na sociedade civil, que a Mocidade devia procurar os apoios necessários para as actividades de Primavera-Verão dos seus rapazes, que não eram um ou dois milhares, como já foi dito, mas sim bem mais do que dezenas de milhares. Os números apontavam para centenas de milhares.

14. – Vistas as coisas a esta dimensão, muito se teria de esperar do voluntariado de uns, os Vanguardistas e Cadetes em apoio aos Lusitos e Infantes. E de uma dedicação sem limites dos principais dirigentes de cada região, ou talvez – de todos –, para a tal mobilização da sociedade civil.

15. – Alguma coisa terá sido feita, e não podemos deixar de louvar os intervenientes. Mas, ficou-se muito aquém do que seria necessário. Noutras colocações falaremos deste tipo de actuação, em especial, da que se esperava dos delegados distritais (divisões) e dos subdelegados regionais (alas ou regiões). Estes últimos por estarem mais em contacto com as populações, eram, sem dúvida, a pedra-angular da Organização.

16. –

17. –

18. –



(continuação)