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MARCOS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL
DESTAQUE


Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Batalha. Leiria.



Painéis de São Vicente de Fora.



Torre de Belém. Lisboa.



Estátua equestre de El-Rei D. João IV. Em frente ao Paço Ducal. Vila Viçosa



A Organização DOS rapazes, PARA os rapazes e PELOS rapazes foi extinta em 1966, quando a reforma do ministro Galvão Telles lhe retirou os rapazes (filiados), entregou os «centros» às escolas, e a transformou, assim, numa espécie de direcção-geral de actividades circum-escolares.

Voltou às origens com a reforma Veiga Simão, pelo Decreto-Lei n.º 486/71 de 8 de Novembro.

Mas os novos "associados" estavam tão preocupados com a sua modernização, que acabaram por a descaracterizar completamente.

Foi definitivamente extinta a 25 de Abril de 1974.


sábado, 25 de junho de 2011

Mocidade Portuguesa. Regulamentos e Instruções. Regulamento de Campismo (1942).




PÁGINA EM CONSTRUÇÃO



I - NOTAS EXPLICATIVAS

1 – O Regulamento de Campismo de 1942, apesar de – naturalmente –, ter necessitado de pequenas alterações ao longo dos anos, mais até no sentido de clarificar alguns pequenos detalhes, podemos considerá-lo, sem dúvida, um dos mais importantes normativos que o Comissariado Nacional daquela época produziu, e que, como facilmente se percebe, só seria possível com a orientação esclarecida do comissário nacional Prof. Doutor Marcello Caetano que pretendia ver a gente moça a respirar o ar do campo e do mar.

2 – É um documento extenso, com 104 artigos, dispersos por 8 capítulos, que, ao pretender regular a prática de um vasto conjunto de actividades e definindo ao mesmo tempo o tipo de instalações e o seu uso, constituía aquilo que no próprio art.º 3.º, se referia como sendo as actividades principais – e isto é muito importante –, para os períodos da Primavera e do Verão.

3 – A chamada instrução-básica, mais teórica e menos prática, ministrada nas sedes dos centros, era matéria para o Outono e Inverno, a qual, sem este complemento fundamental para os períodos de bom tempo, perdia quase completamente o seu interesse para os rapazes e, consequentemente, a sua principal razão de ser.

4 – Claro que, tão ambicioso projecto de Marcello Caetano, iria exigir a mobilização de vastos recursos humanos, materiais e financeiros, especialmente se tivermos em conta o imenso contingente de filiados abrangidos pela obrigatoriedade legal. Mas as coisas eram como eram. Se a obrigatoriedade existia, então havia que lhe dar cumprimento, sem subterfúgios nem omissões.

5 – Só os espíritos acomodados, se poderiam sentir desencorajados, e esse não era o sentir de uma grande parte dos dirigentes e graduados, dispostos a responder ao desafio e a partir para a luta, e Marcello Caetano sabia disso. Primeiro havia que mostrar trabalho que se visse, tal como era próprio daqueles que viviam o espírito da Mocidade, e só depois pedir ajuda para o que, de todo em todo, não fora possível conseguir por iniciativa própria.

6 – Marchas, acantonamentos, acampamentos, colónias de férias, circuitos campistas, vida de montanha; refúgios, albergues, bases campistas, e o mais que fosse. Era esse o desafio. O regulamento estabelecia as principais normas, mas, é evidente, que muito mais havia a estudar em detalhe, e resolver com imaginação, dinamismo e esforço, quer a nível local, regional, provincial ou mesmo nacional. O ciclo-campismo não aparece ainda nele mencionado. É uma ideia que ganhou só mais tarde algumas simpatias, mas não deixarei de tecer desenvolvidas considerações.

7 – A primeira e mais importante tarefa, estava reservado às pessoas, como sempre acontece em todas as sociedades organizadas. Era necessário resolver o problema do enquadramento da grande massa de filiados. Um problema que por ser comum às actividades do Outono e Inverno e a todos os escalões, desde o lusitos, passando pelos infantes, vanguardistas e cadetes, deveria merecer uma atenção especial.

8 – É difícil, nesta pequena nota introdutória, abordar todas as questões. Vamos apenas enunciar algumas, a abordar noutras páginas do blogue, e incluir os respectivos links:

       a)      Formação de quadros (dirigentes e monitores);
       b)      Formação de Graduados.
       c)      Retensão nas fileiras de vanguardistas e cadetes (não abrangidos pela obrigatoriedade legal);
       d)      Instrução de corpos de especialistas, designadamente das «formações-de-comando»;
       e)      Dos especialistas em reconhecimento, cartas e levantamentos topográficos;
       f)       Do «corpo ligações e transmissões», ou de sinaleiros;
       g)      Dos especialistas em construções de campo, em corda, madeira ou lona, tais como pontes de diversos tipos, torres de observação e transmissões, mastros, toldos e divisórias e ainda casas-abrigos e albergues;
       h)      Dos provisores, cozinheiros e seus auxiliares.
       i)       E dos especialistas em transportes e material ciclista.

Talvez possam parecer assuntos diferentes, mas não, pelo contrário, constituem o cerne da questão.

9 – A minha perspectiva, neste momento, parte um pouco daquilo que existiu ou se realizou na cidade de Lisboa ou zonas circunvizinhas, e ainda, no âmbito da Divisão de Lisboa, ou até, talvez, mais na Ala de Lisboa. Claro que muitas coisas aconteceram um pouco por todo o país, mas, só à medita que a parte de investigação do projecto «Tronco-em-Flor» for prosseguindo é que poderemos enriquecer estes textos.

10 – Desde o final dos anos trinta que Lisboa contava com uma ampla «Casa da Mocidade», construída de raiz e dotada de excelentes instalações gimnodesportivas, incluindo uma piscina aquecida e um tanque de remo. Poderia servir perfeitamente como «Base Campista». Embora não possuindo alojamentos, cozinha ou refeitório, tinha espaços facilmente adaptáveis para um «albergue», especialmente para grupos oriundos de outras regiões do país que pretendessem visitar Lisboa e os seus arredores.

11 – Tirando a parte desportiva, e no que se refere à natação, a Casa da Mocidade de Lisboa (CML) foi muito pouco aproveitada ao logo dos anos. Só em 1966 acolheu os serviços da Delegação Distrital de Lisboa, até então no Palácio da Independência e, depois disso, foi elaborado um projecto de arquitectura com vista ao melhor aproveitamento dos seus espaços interiores.

12 – A CML, situada no Bairro da Lapa, quase no centro da cidade, os espaços exteriores poderiam ainda acolher o acampamento de um grupo-de-castelos de “excursionistas”. Facto que não deve causar constrangimentos a quem quer que seja, pois, o VII Acampamento Nacional (1966), foi montado em Lisboa, na quinta das Conchas, ao Lumiar, paredes meias com os edifícios habitacionais da Alameda das Linhas de Torres.

13 – Muito do que os leitores poderão apreciar, nestas páginas, não pode deixar de revelar que não foi a falta de meios que impediu a Mocidade de se tornar uma Organização, verdadeiramente apreciada, até querida, da esmagadora maioria dos filiados, que apenas dela recordam pouco mais que o “marcar-passo”. No entanto, separar o trigo do joio, é um imperativo de consciência e honestidade por que se pauta este blogue.

14 – Nos arredores de Lisboa, em Oeiras, junto à margem direita do Rio Tejo, ergue-se, o pequeno Forte de Catalazete, próximo da foz do rio, e do majestoso Forte de São Julião da Barra. Não posso neste momento, mencionar desde quando a Mocidade ali se instalou, mas sempre funcionou como Pousada da Juventude, especialmente utilizada no Verão por alguns jovens estrangeiros, mas tinha condições para uma colónia de férias de 30 a 40 jovens, junto ao mar, por estar rodeado de excelentes praias. Foi igualmente muito pouco aproveitado. Quase nada.

15 – Um pouco mais a montante do Tejo, em Caxias, mas também junto à margem direita do Rio, situava-se o Forte de São Bruno, um pouco maior que o de Catalazete, mas com uma lotação mais pequena, salvo se fossem montadas tendas na plataforma superior, junto às ameias viradas para o rio. Tinha camas, cozinha e sanitário e poderia servir de base para a prática de deportos náuticos, devido à excelente praia que o rodeava, ou de ponto de partida para actividades de campo.

16 – Ainda nos arredores de Lisboa, um pouco antes do Forte de São Bruno, na Quinta da Graça, junto ao Estádio Nacional, no Vale do Jamor (Cruz Quebrada), paredes meias com o então INEF (Instituto Nacional de Educação Física), hoje Faculdade de Motricidade Humana. Existiu um curioso edifício com o formato de uma embarcação, aonde esteve instalada a Escola Nacional de Graduados, infelizmente consumido pelo fogo após o 25 de Abril, sem que se tenha provado qualquer relação.

17 – Tinha condições de alojamento para cerca de 120 filiados, mais dirigentes e graduados de serviço, e estava dotado de instalações sanitárias (duches do INEF) e apetrechado com cozinha e refeitório. Tanto poderia servir como «Albergue», «Colónia de Férias» ou «Base Campista». Funcionava apenas no mês de Agosto para o Curso de Verão (de comandantes-de-bandeira e de comandantes-de-castelo), e de Novembro a Abril, aos fins-de-semana (sábados à tarde e domingos de manhã) para o Curso de Inverno (de comandantes-de-castelo), neste caso com um efectivo não superior a 60 filiados. As instalações podiam ter sido muito mais aproveitadas e não foram.

18 – Alguns edifícios escolares de Lisboa serviram para o acantonamento de jovens da Organização Juvenil Espanhola, de visita a Lisboa. Também este exemplo não foi replicado nem divulgado pelo resto do país.

19 – Resta acrescentar que as Forças Armadas sempre estiveram disponíveis para colaborar com a Mocidade. Se a M.P. não teve mais apoio foi porque não solicitou.

20 – Claro que, perante esto quadro, não seria fácil pedir mais e mais subsídios ao Ministério da Educação, que, mesmo assim, raramente se negou.


(continua)



Outras Referências:
Mocidade Portuguesa do Campismo. (Facebook)

PORBASE/Base Nacional de Dados Bibliográficoa
PORBASE - Título


II - REPRODUÇÃO DO REGULAMENTO DE CAMPISMO:

Brochura: Colecção do GUIÃO - Centro de Estudos Portugueses, a quem agradecemos.

NOTA: São possíveis dois níveis de visionamento. O primeiro corresponde a um clique com a tecla esquerda do «mouse» sobre a imagem, e ficamos no «slide» da página. O segundo nível, consegue-se de seguida, seleccionando a opção «ver imagem» no menu que se obtém clicando com a tecla direita, e depois, clicando novamente na luneta (+) ou na luneta (-).


Página 1

Páginas 2 e 3

Páginas 4 e 5

Páginas 6 e 7

Páginas 8 e 9

Páginas 10 e 11

Páginas 12 e 13

Páginas 14 e 15

Páginas 16 e 17

Páginas 18 e 19

Páginas 20 e 21

Páginas 22 e 23

Páginas 24 e 25

Páginas 26 e 27

Páginas 28 e 29

Páginas 30 e 31

Páginas 32 e 33

Páginas 34 e 35

Páginas 36 e 37

Páginas 38 e 39

Páginas 40 e 41

Páginas 42 e 43

Páginas 44 e 45

Páginas 46 e 47

Páginas 48 e 49

Páginas 50 e 51

Páginas 52 e 53

Páginas 54 e 55

Páginas 56 e 57

Páginas 58 e 59




quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mocidade Portuguesa. Actividades Gerais. Classes e Especialidades.



Versão: 1.0   –  Data: 22-06-2011


I – NOTAS EXPLICATIVAS:

1 – As classes e as especialidades – associadas aos cursos de formação de graduados –, foram as formas de organização das actividades gerais (inicialmente designadas por instrução geral), que mais e melhores oportunidades ofereceram à generalidade dos filiados da M.P.

2 – E as considerações que Marcello Caetano, Comissário Nacional (1940-1944), inclui a este respeito no seu livro «A Missão dos Dirigentes» e transcritas mais abaixo, são eloquentes na sua simplicidade. Era preciso criar nos rapazes um estímulo, uma motivação para prosseguir, e ver o mérito reconhecido.

3 – Sobre os conteúdos programáticos para a prestação destas provas, encontram-se os mesmos publicados em ordens de serviço do Comissariado Nacional, e em publicações avulsas com as directivas anuais para as actividades, que o «Tronco-em-Flor» publicará em diferentes colocações. Mas, genericamente, elas incidiam sobre os conhecimentos tradicionalmente ministrados pela Mocidade, embora em diferentes graus de dificuldade.

2 – As tais instruções, referentes à prestação de provas pelos infantes «iniciados», aqueles que não tinham tido instrução como Lusitos, nos centros escolares primários, permitiam-lhes ainda prestar provas, primeiro, para «Infantes de 2.ª classe», e depois para «Infantes de 1.ª classe», em qualquer altura do ano, à sua escolha. Os filiados Vanguardistas, tinham de confirmar a 1.ª Classe, no prazo de um ano, e nas mesmas condições.

3 – Mas constitui uma quase evidência, a impossibilidade de interromper constantemente a instrução previamente programada, para os rapazes prestarem provas, muito embora, alguns apoiantes da orientação, pudessem ter eventualmente defendido que, estas oportunidades, acabariam por constituir uma forma de rever e melhorar o conhecimento dos assuntos, aos demais filiados do castelo. Todavia, esta qualquer altura do ano, pode talvez ser entendida como todos os meses ou todos os trimestres.

4 – Seja como for, a necessidade de chegar à 1.ª Classe – a que correspondia o direito de usar o correspondente distintivo, uma quina dourada, acima do bolso esquerdo da camisa, o que tinha sobreposto o emblema da M.P., ou uma quina prateada para a 2.ª Classe –, era nesta altura indispensável, para frequentar os cursos de graduados, a começar pelo curso de chefe-de-quina, ou para transitar para as especialidades, que, no tocante aos infantes, eram mais especialidades «internas» aos próprios Centros de Formação Geral. Salvo poucas excepções.

5 – Aos vanguardistas apresentava-se-lhes a oportunidade de se inscreverem nos «Centros Especiais» de marinharia, remo, vela, hipismo, atletismo, tiro desportivo, esgrima, natação (o voo com e sem motor, que era só para cadetes) e outros, ou ainda de frequentarem os cursos dos «Centros de Instrução de Quadros» que, inicialmente, conferiam as especialidades de ligações e transmissões, defesa civil, Observação (associada à topografia), aviominiatura (aeromodelismo), campismo, tiro desportivo, jogos e iniciação desportiva e especialidade sanitária.

6 – Estes «Centros de Formação de Quadros» eram de excepcional importância, porque era deles que saíam os futuros «Auxiliares de Instrução», tão necessários numa Organização que sempre se debateu com uma tremenda falta de instrutores (assistentes) e graduados, e ainda, essencialmente, os futuros membros das «Formações-de-Comando», assim uma espécie de «corpo-de-estado-maior», que, tal como o nome sugere, apoiavam os comandantes dos diferentes castelos, grupos, bandeiras e falanges, na organização de actividades, de acordo com as suas áreas de especialidades.

7 – Pena foi que a M.P. não tenha aberto mais cedo – fê-lo só depois da reforma de 1966 –, o leque de especialidades dos «Centros Especiais», que se manteve inalterado durante trinta anos (demasiado tempo), a áreas artísticas ligadas à imagem (fotografia e cinema documental), ao teatro e declamação, à música instrumental e coral e às artes plásticas, ou até mesmo a domínios literários. Para acolher, incentivar e ajudar formar os valores que iam emergindo dos Centros de Formação Geral, ou se revelando em salões anuais de educação estética e em jogos florais, com diferentes designações.

8 – Foi uma lacuna grave e uma oportunidade perdida para formar «auxiliares de instrução» para apoiar mais as actividades dos Centro de Formação Geral. Contribuindo assim para a retenção nas fileiras de filiados vanguardistas e cadetes, que, não encontrando o que desejavam, e integrando já o contingente de inscrição voluntária, a pouco e pouco foram abandonando a Organização.

9 – Mas, apesar de todas as dificuldades, o que é importante talvez salientar desde já, é que na Mocidade havia trabalho – ou um posto –, para todos. Longe de ser uma organização aonde apenas uns mandavam e os demais obedeciam, como à primeira vista possa parecer, Nela, todos podiam mandar e a todos era exigida obediência, como, a pouco e pouco irão verificar.


II – TRANSCRIÇÃO PARCIAL:
de “A Missão dos Dirigentes”, Marcello Caetano, 2.ª Edição, 1942:
… … … … … … … … … … …
4.ª Parte – Os Centros e as Actividades
… … … … … … … … … … …
Pág. 100 – Secção V – Classes e Especialidades.

Em todas as actividades tem de se ter presente um certo número de princípios fundamentais para triunfar. Entre esses princípios retenhamos especialmente:

1.º que o estímulo do trabalho vem da ideia de realizar um objectivo, de alcançar um fim;

2.º que a repetição fastidiosa dos mesmos exercícios e a estagnação dos conhecimentos levam inevitavelmente ao desinteresse, o qual só é vencível pela ideia de que se progride, se avança, se é promovido segundo o mérito possuído e o esforço dispendido
.
Em obediência a estas verdades elementares se criaram as classes nos escalões e se dá incremento às especialidades.

O filiado ingressa no escalão de infantes como iniciado; passa depois à 2.ª classe; daí, mediante a prestação de provas, transita para a 1.ª classe e só então deverá ser admitido aos cursos de chefe-de-quina.

Se provém de um Centro de lusitos e teve instrução adequada pode ser dispensado da fase de iniciação.

O mesmo, pouco mais ou menos, se faz depois no escalão de vanguardistas.

Para que servem as classes?

Para dar uma finalidade à instrução geral (actividades gerais). O filiado não anda a fazer as coisas por fazer, não aprende as noções por aprender: está-se a preparar para a 1.ª classe ou para chefe-de-quina. E os programas de instrução são organizados de harmonia com essa finalidade.

Obtida a 1.ª classe e visto que nem todos poder ser chefes-de-quina – que novas actividades se lhe hão-de propor?

As actividades de especialização.

Não devem ser admitidos a praticá-las senão os que tenham tido a formação de base dadas pela instrução geral (actividades gerais).

Mas convém chamar muitos a especializar-se para vantagem da vida dos Centros e para variação da ocupação dos filiados.

Além das actividades de educação física, muitas outras podem ser objecto de especialização: o campismo, a enfermagem, as ligações e transmissões, os transportes, a defesa civil, a aviominiatura (aeromodelismo), a observação, a fotografia, o ciclismo, etc.

A cada especialização corresponde a concessão de uma insígnia de especialidade.

Nas localidades mais populosas convém concentrar a instrução das especialidades quer nos Centros Especializados, quer num Centro de Instrução de Quadros (Centro de Formação de Quadros) onde se preparem os graduados e filiados que depois hão-de auxiliar os instrutores a ministrar a parte complementar das sessões de instrução geral.

As classes e as especialidades são óptimos instrumentos para variar e animar a actividade dos filiados durante a sua permanência na M.P.

Não os desprezem os dirigentes.    

Mocidade Portuguesa. Colaboração dos Leitores (2). Centro Especial de Hipismo do Porto.

Versão: 1.0 – Data: 22-06-2011


I – NOTAS DESCRITIVAS:

1 – O hipismo constituiu uma das principais actividades especiais da M.P., quase desde a sua fundação, em 1936. E chegaram a funcionar cerca de uma dezena e meia de centros especiais, um pouco por todo o país.



Francisco Azeredo, o primeiro à esquerda, aguardando com os demais camaradas 
pelo início da respectiva sessão de instrução.

2 – No Porto, a G.N.R. – Guarda Nacional Republicana, acolheu no seu quartel do Carmo, o centro de hipismo da M.P. da cidade, e proporcionou-lhe os recursos em instalações, em pessoal dirigente e instrutor, e em montadas, indispensáveis ao seu bom funcionamento.

3 – O Centro, embora integrado na Ala do Porto, da Divisão do Douro Litoral da M.P., mais tarde, Divisão Distrital do Porto, dependia, sob o ponto de vista técnico, da sub-inspecção de hipismo, da inspecção de desportos, da direcção dos serviços de educação física e desporto (muitos nomes…), do comissariado nacional da Mocidade Portuguesa, em Lisboa, que, além da supervisão, também organizava os campeonatos nacionais da Organização.



Francisco Azeredo durante a instrução de volteio, 
orientado pelo capitão Álvaro Frazão. 

4 – Os centros de hipismo além dos torneios e concursos, promovidos particularmente entre eles, ou com um carácter mais oficial pela M.P., procuravam igualmente estar presentes noutras provas locais, competindo com diferentes clubes.

5 – O centro do Porto teve como dirigentes e instrutores ao longo de muitos anos, e até à extinção da M.P., em 1974, os capitães Álvaro Frazão e Guedes de Almeida, tendo desempenhado funções de comandantes do centro: Castro e Costa, Cardoso Lima, Lima Leite e Nuno Sousa Guedes.



Francisco Azeredo em grande estilo, durante a prova do Concurso Nacional 
do Porto, 1973, não fora o derrube da vara de entrada 

6 – A frequência média de filiados praticantes nunca era inferior a 50 e estavam divididos por uma classe de volteio e duas classes de sela. Uma delas com os cinco melhores praticantes que representaram o Centro nos campeonatos de obstáculos em Lisboa e Coimbra.


II – DESCRITIVO DA COLABORAÇÃO:

O «Tronco-em-Flor» está muito agradecido a Francisco Carlos de Azeredo, actualmente com 52 anos, por ter concordado em partilhar connosco as suas memórias do tempo em que frequentou o Centro Especial de Hipismo do Porto, da Mocidade Portuguesa.

E fica na expectativa de que outros ‘jovens’, também um pouco mais maduros como ele, venham até aqui falar-nos dos seus tempos. Única forma de conseguirmos reescrever uma página importante da história do hipismo em Portugal.




Francisco Azeredo, 10 de Junho 1972, durante um desfile militar no Porto.


Nasceu na Casa do Arcouce, Baião, em 10 de Outubro de 1958. 

Em 1970, começou a frequentar 1.º ano do Liceu Garcia da Orta, que completa em 1978.

Com 12 anos participou no Festival Hípico de Lamego (1971).

E, com 13 anos, no Festival Hípico do Porto (1972)

Aos 14 anos, o Concurso Nacional de Saltos do Porto (1973)

Recorda-se de ter tido como companheiros da instrução de hipismo: Luís Archer, Nuno Sousa Guedes, Xavier, Luis Cunha, Arnaldo Furtado, irmãos Lima Leite, Lourenço, Diogo e Henrique Brito e Faro, João Amaral Teixeira, João Campos, João Coutinho, e ainda, Lourenço de Almada e Nuno Lacerda (presenças na página «Mocidade Portuguesa do Hipismo» no Facebook) e muitos outros.



Capitão Álvaro Frazão, instrutor do centro de hipismo após 
uma prova no Sport Club do Porto em 1972. Francisco Azeredo é o segundo a contar da direita.



Francisco Azeredo, um muito jovem cavaleiro orgulhoso pelo prémio conquistado, 
no Festival Hípico do Sport Club do Porto. 


Fotografias: Cortesia de Francisco Carlos de Azeredo

sábado, 18 de junho de 2011

Mocidade Portuguesa. Páginas de Poesia (1). «Chama Inquieta»

Versão: 1.0  –  Data: 18-06-2011

Chama-da-Mocidade

TRANSCRIÇÃO:
(do «Jornal da M.P.», Nova Série, Ano I, N.º 5, 24-12-1942, Página 7)

Trouxemos lenha e toda amontoámos
a meio do Acampamento. Aí cavámos
um sulco circular, delimitando
uma mesa redonda e uma bancada.
Da mesa sugira chama ateada
E, em volta, a Mocidade está cantando…
É noite feita. A chama a crepitar
E um silêncio se faz no Acampamento…
À volta desse lume, num saudar,
Está pensamento moço… Pensamento!
As árvores murmuram meigamente,
uma canção que o vento magicou…
E, no Céu, muita estrela refulgente
É alto ideal, qu’inda não se alcançou!
Não poderei esquecer, por mais que viva,
os reflexos da chama bailadeira
No olhar feliz da Mocidade altiva,
Rosto viril, que o lume avermelhava,
– ambiente de mística sem par! –
ao alto o Coração, que procurava
ser moço hoje… e pela vida inteira!
E a chama sempre, sempre a crepitar
Fez-nos pensar… pensar…
Em que pensámos?
Que a Mocidade é Ideal Sublime,
Porque resume e subtiliza a Esperança
do Mundo que ideámos!
Porque ela em nós imprime
o dom da Confiança,
da confiança em nós, no que podemos
na Certeza que sempre venceremos!
Pensámos que é preciso compreender!
Sentimos um impulso pr’a melhor!
Pensámos que é preciso saber Querer!
Sentimos Fé num Portugal Maior!
A chama, a crepitar, ia aumentando
e as almas também! Já não cabiam
dentro de nós, e saíam cantando,
e todo o campo… e todo o Mundo enchiam…
Pensámos Mocidade, e, olhando a flama,
Sentimos nela a vida que nos chama,
vida mais alta, plena de ideais,
não de quimeras, de utopias loucas,
mas princípios sãos, dos imortais,
que se resumem em palavras poucas:
Deus, Pátria e Família, a trilogia santa
do mais alto ideal que Portugal levanta!
… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …
Na Chama vimos nós a própria Vida,
feixe dessoutros feixes imortais,
nas almas, outra lavareda erguida,
que não se extinguirá jamais… jamais!
… e a chama sempre, sempre a crepitar!
Pensámos e pensamos Mocidade,
no Belo que na Cruz há a encontrar
e no Bem porque anseia a Mocidade!
… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …
Na escuridão da noite, o lumaréu
erguia para o Céu,
línguas de fogo, agora suplicantes…
As árvores pareciam uns gigantes!
Barracas brancas – : «almas do outro mundo!»
Aos cantares sucedera um silêncio profundo…
No remanso da noite adormecida,
tinha-se ali o mundo e seus terrores,
e a chama fraquinha, empobrecida,
tal como as juventudes que passaram,
gemendo mágoas, lastimando dores,
sem memória deixar aos que ficaram!...
… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …
Quando a chama se erguia, ardente e forte,
simbolizava a vida idealizada,
a Mocidade que não teme a sorte,
a Mocidade que não teme nada!
A Nossa! Era a Chama, ao alto erguida,
num complexo de ideais a renascer!
Ideais? Ideal da própria vida,
iluminando o nosso Alvorecer!
… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …
Ao dealbar do Dia
A chama se apagara,
Mas, nas almas, existia
outro lume que vingara,
que crepita, tendo algo de Mistério,
anseio de Maior Bem para a humanidade,
erguido em honra de Portugal-Império,
chama da nossa própria Mocidade!
       

Poema de EUGÉNIO JOSÉ ASCENSÃO RIBEIRO ROSA,
do Centro Universitário de Lisboa da M.P.
Mais tarde médico e Comissário Nacional Adjunto

Fotografia: Cortesia do GUIÃO – Centro de Estudos Portugueses