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MARCOS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL
DESTAQUE


Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Batalha. Leiria.



Painéis de São Vicente de Fora.



Torre de Belém. Lisboa.



Estátua equestre de El-Rei D. João IV. Em frente ao Paço Ducal. Vila Viçosa



A Organização DOS rapazes, PARA os rapazes e PELOS rapazes foi extinta em 1966, quando a reforma do ministro Galvão Telles lhe retirou os rapazes (filiados), entregou os «centros» às escolas, e a transformou, assim, numa espécie de direcção-geral de actividades circum-escolares.

Voltou às origens com a reforma Veiga Simão, pelo Decreto-Lei n.º 486/71 de 8 de Novembro.

Mas os novos "associados" estavam tão preocupados com a sua modernização, que acabaram por a descaracterizar completamente.

Foi definitivamente extinta a 25 de Abril de 1974.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mocidade Portuguesa. Colaboração dos Leitores (2). Centro Especial de Hipismo do Porto.

Versão: 1.0 – Data: 22-06-2011


I – NOTAS DESCRITIVAS:

1 – O hipismo constituiu uma das principais actividades especiais da M.P., quase desde a sua fundação, em 1936. E chegaram a funcionar cerca de uma dezena e meia de centros especiais, um pouco por todo o país.



Francisco Azeredo, o primeiro à esquerda, aguardando com os demais camaradas 
pelo início da respectiva sessão de instrução.

2 – No Porto, a G.N.R. – Guarda Nacional Republicana, acolheu no seu quartel do Carmo, o centro de hipismo da M.P. da cidade, e proporcionou-lhe os recursos em instalações, em pessoal dirigente e instrutor, e em montadas, indispensáveis ao seu bom funcionamento.

3 – O Centro, embora integrado na Ala do Porto, da Divisão do Douro Litoral da M.P., mais tarde, Divisão Distrital do Porto, dependia, sob o ponto de vista técnico, da sub-inspecção de hipismo, da inspecção de desportos, da direcção dos serviços de educação física e desporto (muitos nomes…), do comissariado nacional da Mocidade Portuguesa, em Lisboa, que, além da supervisão, também organizava os campeonatos nacionais da Organização.



Francisco Azeredo durante a instrução de volteio, 
orientado pelo capitão Álvaro Frazão. 

4 – Os centros de hipismo além dos torneios e concursos, promovidos particularmente entre eles, ou com um carácter mais oficial pela M.P., procuravam igualmente estar presentes noutras provas locais, competindo com diferentes clubes.

5 – O centro do Porto teve como dirigentes e instrutores ao longo de muitos anos, e até à extinção da M.P., em 1974, os capitães Álvaro Frazão e Guedes de Almeida, tendo desempenhado funções de comandantes do centro: Castro e Costa, Cardoso Lima, Lima Leite e Nuno Sousa Guedes.



Francisco Azeredo em grande estilo, durante a prova do Concurso Nacional 
do Porto, 1973, não fora o derrube da vara de entrada 

6 – A frequência média de filiados praticantes nunca era inferior a 50 e estavam divididos por uma classe de volteio e duas classes de sela. Uma delas com os cinco melhores praticantes que representaram o Centro nos campeonatos de obstáculos em Lisboa e Coimbra.


II – DESCRITIVO DA COLABORAÇÃO:

O «Tronco-em-Flor» está muito agradecido a Francisco Carlos de Azeredo, actualmente com 52 anos, por ter concordado em partilhar connosco as suas memórias do tempo em que frequentou o Centro Especial de Hipismo do Porto, da Mocidade Portuguesa.

E fica na expectativa de que outros ‘jovens’, também um pouco mais maduros como ele, venham até aqui falar-nos dos seus tempos. Única forma de conseguirmos reescrever uma página importante da história do hipismo em Portugal.




Francisco Azeredo, 10 de Junho 1972, durante um desfile militar no Porto.


Nasceu na Casa do Arcouce, Baião, em 10 de Outubro de 1958. 

Em 1970, começou a frequentar 1.º ano do Liceu Garcia da Orta, que completa em 1978.

Com 12 anos participou no Festival Hípico de Lamego (1971).

E, com 13 anos, no Festival Hípico do Porto (1972)

Aos 14 anos, o Concurso Nacional de Saltos do Porto (1973)

Recorda-se de ter tido como companheiros da instrução de hipismo: Luís Archer, Nuno Sousa Guedes, Xavier, Luis Cunha, Arnaldo Furtado, irmãos Lima Leite, Lourenço, Diogo e Henrique Brito e Faro, João Amaral Teixeira, João Campos, João Coutinho, e ainda, Lourenço de Almada e Nuno Lacerda (presenças na página «Mocidade Portuguesa do Hipismo» no Facebook) e muitos outros.



Capitão Álvaro Frazão, instrutor do centro de hipismo após 
uma prova no Sport Club do Porto em 1972. Francisco Azeredo é o segundo a contar da direita.



Francisco Azeredo, um muito jovem cavaleiro orgulhoso pelo prémio conquistado, 
no Festival Hípico do Sport Club do Porto. 


Fotografias: Cortesia de Francisco Carlos de Azeredo

sábado, 18 de junho de 2011

Mocidade Portuguesa. Páginas de Poesia (1). «Chama Inquieta»

Versão: 1.0  –  Data: 18-06-2011

Chama-da-Mocidade

TRANSCRIÇÃO:
(do «Jornal da M.P.», Nova Série, Ano I, N.º 5, 24-12-1942, Página 7)

Trouxemos lenha e toda amontoámos
a meio do Acampamento. Aí cavámos
um sulco circular, delimitando
uma mesa redonda e uma bancada.
Da mesa sugira chama ateada
E, em volta, a Mocidade está cantando…
É noite feita. A chama a crepitar
E um silêncio se faz no Acampamento…
À volta desse lume, num saudar,
Está pensamento moço… Pensamento!
As árvores murmuram meigamente,
uma canção que o vento magicou…
E, no Céu, muita estrela refulgente
É alto ideal, qu’inda não se alcançou!
Não poderei esquecer, por mais que viva,
os reflexos da chama bailadeira
No olhar feliz da Mocidade altiva,
Rosto viril, que o lume avermelhava,
– ambiente de mística sem par! –
ao alto o Coração, que procurava
ser moço hoje… e pela vida inteira!
E a chama sempre, sempre a crepitar
Fez-nos pensar… pensar…
Em que pensámos?
Que a Mocidade é Ideal Sublime,
Porque resume e subtiliza a Esperança
do Mundo que ideámos!
Porque ela em nós imprime
o dom da Confiança,
da confiança em nós, no que podemos
na Certeza que sempre venceremos!
Pensámos que é preciso compreender!
Sentimos um impulso pr’a melhor!
Pensámos que é preciso saber Querer!
Sentimos Fé num Portugal Maior!
A chama, a crepitar, ia aumentando
e as almas também! Já não cabiam
dentro de nós, e saíam cantando,
e todo o campo… e todo o Mundo enchiam…
Pensámos Mocidade, e, olhando a flama,
Sentimos nela a vida que nos chama,
vida mais alta, plena de ideais,
não de quimeras, de utopias loucas,
mas princípios sãos, dos imortais,
que se resumem em palavras poucas:
Deus, Pátria e Família, a trilogia santa
do mais alto ideal que Portugal levanta!
… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …
Na Chama vimos nós a própria Vida,
feixe dessoutros feixes imortais,
nas almas, outra lavareda erguida,
que não se extinguirá jamais… jamais!
… e a chama sempre, sempre a crepitar!
Pensámos e pensamos Mocidade,
no Belo que na Cruz há a encontrar
e no Bem porque anseia a Mocidade!
… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …
Na escuridão da noite, o lumaréu
erguia para o Céu,
línguas de fogo, agora suplicantes…
As árvores pareciam uns gigantes!
Barracas brancas – : «almas do outro mundo!»
Aos cantares sucedera um silêncio profundo…
No remanso da noite adormecida,
tinha-se ali o mundo e seus terrores,
e a chama fraquinha, empobrecida,
tal como as juventudes que passaram,
gemendo mágoas, lastimando dores,
sem memória deixar aos que ficaram!...
… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …
Quando a chama se erguia, ardente e forte,
simbolizava a vida idealizada,
a Mocidade que não teme a sorte,
a Mocidade que não teme nada!
A Nossa! Era a Chama, ao alto erguida,
num complexo de ideais a renascer!
Ideais? Ideal da própria vida,
iluminando o nosso Alvorecer!
… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …
Ao dealbar do Dia
A chama se apagara,
Mas, nas almas, existia
outro lume que vingara,
que crepita, tendo algo de Mistério,
anseio de Maior Bem para a humanidade,
erguido em honra de Portugal-Império,
chama da nossa própria Mocidade!
       

Poema de EUGÉNIO JOSÉ ASCENSÃO RIBEIRO ROSA,
do Centro Universitário de Lisboa da M.P.
Mais tarde médico e Comissário Nacional Adjunto

Fotografia: Cortesia do GUIÃO – Centro de Estudos Portugueses

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Mocidade Portuguesa. Regulamentos e Instruções. Centros Escolares Primários.

Versão: 1.0 – Data: 11-06-2011



I – NOTAS DESCRITIVAS:

1 – É muito frequente verificar-mos, em fotografias de actividades da Mocidade, referentes ao final dos anos trinta e anos quarenta, obtidas em centros escolares primários, a presença de filiados chefes-de-quina e de comandantes-de-castelo, fardados, no meio de formações de pequenos lusitos (7 aos 10 anos) não fardados, ou aonde só alguns, poucos, usavam farda. A maior parte dos filiados eram muito pobres.

2 – Foi uma época em que se procurou valorizar a importância da actividade do escalão de lusitos, e lançar uma forte campanha para encontrar doadores de fardas e de tecidos para fardas, entre entidades oficiais e particulares. Não só porque estes jovens estavam abrangidos pela obrigatoriedade legal de inscrição e frequência das actividades, mas talvez, principalmente, por se reconhecer o reflexo que as mesmas viriam a ter, logo a seguir, no sucesso das actividades do escalão de infantes e até vanguardistas, tanto nos centros escolares, como nos centros extra-escolares, para onde poderiam transitar os filiados que não continuavam a estudar.

Capa do Jornal da M.P, Nova Série, Ano I, N.º 1, 1941

3 – Diversos educadores (professores primários e dirigente da M.P.) dedicaram aos filiados deste escalão numerosos trabalhos de interessante valor pedagógico, publicados pela Mocidade nos seus jornais e boletins, e até em pequenas brochuras avulsas, que o «Tronco-em-Flor» procurará ir progressivamente republicando.

4 – Prestar serviço nos centros escolares primários, em regime de destacamento, foi um desafio que muitos rapazes mais velhos, especialmente dos escalões de infantes e vanguardistas (alguns antigos filiados e alunos desses centros), aceitaram com um elevado sentido de missão.

5 – Mas também se reconhecem nas tais fotografias filiados ainda mais velhos, porventura do escalão de cadetes (monitores e auxiliares de instrução). E falo repetidamente nas fotografias, por serem mais conhecidas do grande público, e porque ainda não me foi possível localizar outras fontes, escritas, e mais descritivas, o que espero venha a acontecer daqui a algum tempo, salvo, claro, a parte do regulamento dos centros, relativa aos centros escolares primários, transcrita mais abaixo, e aonde recomendo a leitura do § 7.º do artigo 32.º, o § 4.º do artigo 35.º, e os artigos 40.º e 42.º.

6 – Em meados dos anos cinquenta, quando comecei a frequentar, a escola primária de Queluz, não haviam actividades da Mocidade. Limitavamo-nos nos intervalos a uns pequenos jogos com uma «bola trapeira» e a brincar «à apanhada» ou «às escondidas». E aos sábados de manhã vínhamos para casa mais cedo. Apenas sabíamos que era um dia diferente, nada mais. Claro que depois das experiências que vivi nos anos seguintes, não tive qualquer dúvida sobre a vantagem que as actividades da M.P. teriam tido para todos nós. Infelizmente, a professora estava sozinha e pouco podia fazer.

7 – Por diversas vezes a Mocidade tentou, com pouco sucesso, que nos cursos de formação de professores dos magistérios primários, fosse incluído um acréscimo curricular que os qualificasse para ministrarem ou supervisionarem as actividades dos lusitos. Mas isso também não seria uma solução completa e talvez por isso mesmo a medida tenha tido tão poucos apoiantes. Nada substituiria a presença de chefes juvenis, embora devidamente orientados pelos professores. A base do projecto educativo da M.P. era a «educação do rapaz pelo rapaz», como veremos de uma forma desenvolvida noutro local.

8 – Em 1968, fui convidado, um pouco a título particular, para avaliar as possibilidades dos alunos de uma escola primária da baixa de Lisboa, passarem a ter regularmente, aos sábados, actividades da Mocidade. As instalações eram muito acanhadas e apenas existia um muito pequeno pátio nas traseiras. Mas os miúdos, mais de uma centena, e as próprias professoras, ficaram super-entusiasmados com a hipótese de viver, pelo menos um dia por semana, algo diferente, do que era a sua rotina quotidiana.

9 – Mas, infelizmente, aquilo não era tarefa para um graduado isolado. E a implementação de uma nova estrutura organizada iria requerer alterações de fundo – as que haviam sido perdidas ao longo dos anteriores vinte anos. Muitas das quais, serão objectivo de estudo pelo «Tronco-em-Flor», em futuras colocações.

10 – E para maior complicação estávamos em plena «Reforma Galvão Telles», que desmantelou a Mocidade enquanto organização de juventude, para a converter, assim, numa espécie de direcção-geral de actividades circum-escolares, cheia de burocratas.



II – REGULAMENTO DOS CENTROS:
(Transcrição parcial de uma versão especialmente destinada à colónias/ultramar, a única que foi possível encontrar até ao momento.)
… … … … … … … … … … … … … … … … … … … …

Art.º 32.º – Os Centros Escolares Primários destinam-se à formação moral, física e cívica dos filiados alunos das escolas primárias, oficiais ou particulares, em idade de se poderem inscrever na Organização.

§ 1.º Em cada escola, oficial ou particular, com trinta ou mais alunos, será constituído um centro de instrução.

§ 2.º Se na escola particular coexistirem ensinos primário e secundário e, por virtude disto, haja ou venha a ser criado um centro escolar, os filiados do ensino primário constituirão uma secção desse centro.

§ 3.º Quando os alunos de uma escola primária particular forem em número inferior ao do indicado no § 1.º deste artigo, ficarão, eles, dependentes, para efeitos das actividades da M.P., do Centro Escolar Primário mais próximo, onde o Director da respectiva escola os deverá inscrever e os mandará comparecer às actividades.

§ 4.º A Inscrição dos filiados no Centro Escolar Primário far-se-á, sempre, dentro dos prazos regulamentares para a matrícula nas escolas.

§ 5.º Como livro de registo de inscrição no Centro considerar-se-á o livro de registo das faltas, nas escolas, e um livro próprio para as escolas do ensino particular onde se anotam, não só as presenças dos filiados, como também as informações do seu aproveitamento.

§ 6.º Fora dos períodos regulamentares, a inscrição na M.P. só poderá ser autorizada pelo Comissário Colonial, a quem deverá ser requerida, justificando-se a razão da excepção. O despacho será levado ao conhecimento do interessado e do Director Escolar respectivo pela correspondente delegação provincial.

§ 7.º Os Centros Escolares Primários terão, em regra, como Director o Director da Escola, e o quadro de instrutores será constituído pelos respectivos professores, os quais, para efectuar a instrução, somente poderão ser coadjuvados por graduados ou filiados, para o desempenho das suas funções. O Director do Centro poderá nomear para o coadjuvar nos serviços do Centro um professor, que desempenhará as funções de adjunto.

§ 8.º O Director da Escola particular nas condições do § 3.º será considerado adjunto do Director do Centro que os seus alunos frequentam e terá, perante ele, as responsabilidades inerentes a esta categoria.

§ 9.º Os filiados que frequentam o ensino doméstico receberão a instrução da M.P. na escola oficial mais próxima da sua residência, dentro da zona onde estejam inscritos.

§ 10.º Os encarregados de educação serão os responsáveis pela sua inscrição nas fileiras da M.P.

§ 11.º Os infantes, alunos do ensino primário, oficial ou particular, poderão ser autorizados a receber instrução nos Centros Escolares, ou, até mesmo, no Centro Extra-Escolar mais próximo da sua residência.

Art.º 33.º – Os Centros Escolares Primários terão, dentro de cada Ala, uma numeração seguida sob a designação «C.E.P. n.º …» e segundo a ordem cronológica da sua fundação.

Art.º 34.º – A actividade dos filiados nos Centros Escolares Primários deve ser orientada em íntima ligação com os trabalhos escolares, devendo ter lugar, normalmente, pelo menos duas vezes por semana, sendo uma delas no sábado de manhã com a duração média de uma hora e trinta minutos.

§ 1.º Aos sábados a instrução pode, excepcionalmente, ter a duração máxima de três horas, no caso de passeios, visitas de estudo ou concentrações preparatórias de festivais.

§ 2.º A instrução será entregue aos professores primários da escola, que devem comparecer a todas as sessões, encarregando-se, cada um, de um agrupamento de filiados ou de uma modalidade de instrução, conforme o Director do Centro considerar mais conveniente.

Art.º 35.º – A instrução compreenderá instrução moral, cívica e nacionalista, higiene, contos educativos, orgânica da M.P., formações e evoluções, jogos educativos e canto coral e será ministrada sempre com carácter prático, vivo e atraente pelas seguintes formas:
·         Em duas sessões semanais no Centro ou no exterior.
·         Em passeios e visitas aos sábados e quando possível.
·         Em pequenas festas no centro.

§ 1.º A instrução será sempre adaptada à idade, interesse dos filiados, variada e sem perder a finalidade educativa.

§ 2.º Na instrução seguir-se-ão sempre as lições-tipo do respectivo manual, adaptadas às condições do local e do momento.

§ 3.º A ginástica infantil será ministrada nos outros dias de semana, fora dos tempos destinados às restantes actividades da M.P..

§ 4.º A presença de todos os professores é obrigatória, a todas as sessões de instrução e a circunstância de, aos centros, poderem ser destinados auxiliares de instrução, não dispensa a actividade daqueles, nem lhes diminui a responsabilidade.

Art.º 36.º – No final de cada ano lectivo e sempre que isso se torne igualmente necessário, por motivo de transferência de Centro, por exemplo, os Directores dos Centros Escolares Primários poderão passar certificados de frequência e aproveitamento, os quais serão autenticados pelo Delegado Provincial da M.P. e deverão conter as seguintes indicações:
·         Data de inscrição na M.P..
·         Motivo pelo qual é passado o certificado.
·         Informações acerca do interesse e aproveitamento obtido pelo filiado.
·         Breve conclusão acerca da sua aptidão.
·         Número de faltas dadas durante o ano corrente.
·         Informação sobre as qualidades morais e físicas do filiado.

Art.º 37.º – Nas propostas para exame será devidamente informado pelo Director do Centro Escolar Primário o que conste sobre a inscrição e aproveitamento na M.P., as quais, depois de autenticadas pelos Inspectores do Ensino Primário, serão enviadas ao Comissariado para o visto respectivo.

Art.º 38.º – Para o averbamento comprovativo de que o filiado se acha inscrito na M.P. e a que se refere a alínea c) do artigo 280.º do Decreto-Lei 36:508 de 17 de Setembro de 1947, torna-se necessário que o filiado, além da inscrição, não tenha dado no último ano lectivo, um número de faltas às actividades da M.P., que exceda o produto por três do número de sessões semanais, das mesmas actividades.

§ 1.º Estes averbamentos no caderno escolar deverão ser autenticados pelo Inspector e enviados ao Comissariado da M.P., para o visto respectivo.

§ 2.º A relevação das faltas, no todo ou em parte, pode ser autorizada pelo Comissariado, se o filiado apresentar justificação aceitável, perante o Director do Centro, que dará por escrito a sua opinião, no respectivo documento e o enviará, por intermédio da Inspecção, ao Comissariado.

Art.º 39.º – Só em casos especiais, devidamente justificados, os Inspectores Primários, na qualidade de adjuntos do Delegado Provincial, podem autenticar os certificados de frequência para exames.

Art.º 40.º – Eventualmente, para as escolas oficiais, poderá ser autorizada pelo Delegado Provincial, ouvido o Comissariado, a colocação, por necessidades técnicas, de instrutores ou monitores nos Centros Escolares Primários.

Art.º 41.º – A formação moral caberá, em princípio, ao padre ou indivíduo especialmente designado para esse fim, pelo Chefe dos Serviços de Instrução Pública da Colónia, em entendimento com o Comissariado.

Art.º 42.º – Os graduados necessários ao enquadramento dos filiados dos Centros Escolares Primários, serão aqui colocados a pedido do respectivo Director ou Delegado Provincial.

§ 1.º Caso não seja possível colocar em cada Centro o número necessário de graduados para a instrução, poderão os chefes-de-quina, oriundos do Centro ou os filiados mais velhos e mais aptos, desempenhar as funções de arvorados.

§ 2.º As funções de Comandante do Centro, sempre que seja possível, serão desempenhadas por um graduado de escalão superior, designado pelo Delegado Provincial.

Art.º 43.º – Nos Centros Escolares Primários, os serviços distribuídos pelas secções previstas para os Centros Extra-Escolares, ficarão a cargo do Director e Instrutores do Centro (professores primários) que neles iniciarão os filiados, dentro das possibilidades da sua idade e que são como seguem:
·         Secretaria;
·         Camaradagem:
·         Cultural;
·         Saúde;
·         Amigos do Centro;
·         Tesouraria,
das quais se consideram indispensáveis as que respeitam à Secretaria, Cultural e Camaradagem.
Cada secção será orientada por um professor.
Estimula-se em particular tudo quanto se refere a acções de camaradagem, criando fundos próprios para a aquisição de fardamentos, livros e algum material necessário aos serviços do Centro (bolas para jogos, bússolas, bornais, etc.) e para a organização de uma Cantina Escolar.
As receitas com que se hão-de formar esses fundos serão constituídas pela quotização dos filiados que o possam fazer, pela quotização do grupo de Amigos do Centro, constituído pelas famílias dos filiados e simpatizantes, pelos subsídios das autoridades e outros, pelo rendimento de pequenas festas e por outros donativos.

Art.º 44.º – Deverão os Centros Escolares primários prestar toda a colaboração às cantinas escolares e outras actividades circum-escolares.
… … … … … … … … … … … … … … … … … … … …

(continua)


Fotografia da capa do Jornal da M.P.: Cortesia do GUIÃO - Centro de Estudos Portugueses.

sábado, 4 de junho de 2011

Mocidade Portuguesa. Actividades Gerais. A Quina e o Livro de Quina.

Versão: 1.0   –  Data: 04-06-2011


I – NOTAS EXPLICATIVAS:

1 – A Quina era a célula base de todas as actividades da Mocidade. Além do enquadramento nas actividades gerais, havia quinas para quase todo o tipo de especialidades e funções.

2 – Apenas como referência, ela era constituída por seis filiados, mas nada a impedia de começar por dois ou três e chegar até aos oito ou nove, porque ela era essencialmente um grupo de amigos – um grupo de vontades –, com um objectivo bem definido.

3 – Imaginar uma quina, rigidamente, nos seus seis filiados, é talvez uma atitude um pouco redutora, porque ela sempre foi bastante mais que uma simples peça de um grande puzzle constituído por falanges, bandeiras, grupos e castelos, em desfile simétrico e cadenciado, no Dia da Mocidade. Algo, no entanto, que entendido na sua devida proporção, também podia ser interessante. E a prova disso são as fotografias de todas as épocas em que vemos milhares e milhares de pessoas ao longo dos passeios por aonde iriam passar os seus filhos e netos.


4 – No princípio de cada ano lectivo, em muito centros, especialmente aqueles com efectivos de centenas ou até mais de um milhar de filiados, por exemplo, escolas técnicas elementares e liceus, procurava-se fazer coincidir os castelos com as turmas de alunos, já existentes. O método tinha vantagens que assentavam na simplicidade. Mas não dispensava a cuidadosa organização da quina. E era aqui que intervinha a importante figura do chefe-de-quina, pois era ele que escolhia os seus rapazes, os instruía, e os liderava, com a ajuda do comandante-de-castelo.

5 – Nos centros do ensino técnico complementar: escolas industriais e comerciais; o efectivo era bastante mais reduzido. Os voluntários iam aparecendo aos poucos e as quinas constituíam-se ao mesmo ritmo. Crescendo e desdobrando. Crescendo e voltando a desdobrar-se, especialmente quando um comandante-de-castelo era chamado a enfrentar o seu maior desafio: assumir sozinho o comando de um centro, totalmente desorganizado, e a meio do ano. Mas disso falaremos noutro local.

6 – A vivência de uma quina de actividades gerais assentava em quatro vertentes, a saber: a amizade e coesão entre camaradas; as actividades de campo; as actividades culturais e; as actividades gimnodesportivas. O livro de quina era o repositório de tudo o que acontecia de significativo.

7 – Mas era no seu trabalho de conjunto, semana após semana, que se iam a pouco e pouco revelando as vocações e os possíveis contributos para o universo mais alargado do castelo, do grupo-de-castelos, e do próprio Centro.

8 – Nas actividades de campo, começava, durante o inverno, por: aprender a montar, desmontar, arrumar e transportar uma tenda canadiana e o trem de cozinha; por confeccionar umas pequenas refeições, e nessa época não havia a infinidade de «enlatados» dos tempos actuais; e aprendendo um pequeno mundo de outros conhecimentos, indispensáveis para quem vai viver no campo. O nosso campismo tinha propósitos especiais – educativos –, não era apenas uma forma económica de conseguir um alojamento.

9 – Aparecia depois a oportunidade de, em grupo, participar numa «prova de orientação» com a ajuda da carta topográfica, da bússola, da régua de milésimos, para calcular as distâncias, e de pequenos esboços resultantes de «levantamentos» feitos por outras quinas. Ou então deixar uma pista marcada, com sinais mais ou menos convencionais, para a quina ou quinas que se lhe seguissem. As provas nocturnas eram especialmente apreciadas, por exigirem bastante mais atenção, e a pista ser marcada (balizada) com pequenos pedaços de gaze branca.

10 – Acampar, por exemplo, para guarnecendo um posto numa cadeia de transmissões, em homográfico ou morse, com bandeirolas ou lanternas de sinais, e que tanto podia ter 100 ou 200 metros, como um quilómetro ou três. Tantos quantos fossem necessários para levar as mensagens da sua origem ao destino, ou das suas origens aos seus destinos, se várias cadeias se cruzassem ou entroncassem. Geralmente a distância entre postos não excedia os 100 metros e a dupla de serviço era designada por sinaleiro e coadjuvante (o que anotava ou ditava as mensagens).

11 – As actividades culturais mais quotidianas, para a quina de actividades gerais de filiados infantes e vanguardistas resumiam-se em dois grandes grupos de tarefas (contributos): para o «jornal de parede» ou o «jornal de árvore», e para a «chama da mocidade».    

12 – Alguém sempre conseguia fazer uma «redacção» mais bonitinha, para o jornal, depois de sugeridos vários temas pelos seus camaradas. Hoje procura-se informação na Internet, naquele tempo era apenas nos livros e em jornais ilustrados, mas sempre se encontrava. Depois era o outro que tinha uma caligrafia menos má e, finalmente, o ilustrador.

13 – Quanto à «chama da mocidade», essa tanto podia acontecer à noite, num acampamento, como em fins-de-semana, no próprio Centro, com a presença de amigos, familiares e alguns professores. E até durante as tardes de Sábado, mesmo sem cavacos a arder, apenas entre a rapaziada sentada no chão em círculo, como forma de ensaiar os cânticos colectivos de índole bem portuguesa, e outros adaptados pelos próprios filiados. As pequenas declamações individuais ou colectivas (jograis) que estiveram muito em voga nos anos cinquenta, e até talvez antes disso. E as pequenas teatralizações de um só acto, 10 a 15 minutos, com adereços e vestuário pouco mais que improvisado. Mas era o espírito que contava. O espírito e o «animador» da chama, essa figura incontornável. No fim havia chocolates para os melhores.

14 – Desde que me lembro de ter começado a minha carreira na Mocidade, que recordo os jogos educativos e a iniciação desportiva, um dos momentos mais apreciados das actividades gerais. Quinas competindo com outras quinas e preparando-se para mais e melhor, ou seja, a especialização gimnodesportiva.

15 – Quanto ao livro de quina, ainda hoje há quem o guarde quase religiosamente. Lá estão os amigos desses tempos, muitos dos quais continuaram ao longo da vida. Os textos e gravuras para o jornal, o que se conseguiu fazer para animar a «chama», os relatos dos acampamentos, das provas de campo, e dos chocolates e pequenas medalhas ganhas em competições entre quinas.

16 – Claro que vamos voltar a tudo isto, «noutras colocações» que abordem mais especificamente os vários tipos de actividades e os locais aonde tiveram lugar. Estamos, enquanto espaço, para ficar e para crescer ao longo dos próximos anos.



II – TRANSCRIÇÃO PARCIAL:

A Missão dos Dirigentes, Marcello Caetano, 2.ª Edição, 1942

Reflexões & Directivas, pelo Comissário Nacional

… … … … … … … … … … …

4.ª Parte – Os Centros e as Actividades

… … … … … … … … … … …

Pág. 102 – Secção VI – As Quinas e o Livro de Quina.

Tem-se em muitos Centros cometido o erro de considerar as quinas como simples «unidades tácticas» que se fazem e desfazem conforme as conveniências de cada dia.

Erro enorme, esse!

A quina não é apenas um par de fileiras de três filiados na formatura do castelo.

A quina deve ser a célula fundamental de toda a organização do centro.

Daí a necessidade de formar bons chefes de quina.

E a necessidade, não menor, de constituir as quinas cuidadosamente, no começo do ano lectivo, de maneira que cada uma seja um grupo de bons amigos e camaradas ardendo no zelo de fazer progredir o seu castelo e o seu Centro.

É o chefe-de-quina que deve escolher os filiados da sua quina.

E, uma vez constituída, a quina há-de permanecer sempre a mesma até ao fim do ano.

O documento da unidade da quina é o livro de quina. No livro de quina regista-se a biografia dos filiados que a compõem, a sua actividade na M.P., a história da quina e a do castelo a que pertence.

Nele colaboram, sob a direcção do chefe, todos os filiados, consoante as suas aptidões – escrevendo, ilustrando, encadernando…

Um livro de quina bem ordenado e mantido com carinho é meio caminho andado para conseguir estimular a actividade da quina.

E se as quinas tiverem bons chefes, coesão e entusiasmo, o castelo vai de vento em popa.

Um Centro cujos castelos trabalhem bem, é um Centro cheio de espírito da Mocidade.
Já então se pode cultivar a boa emulação do trabalho, provocando o despique entre as quinas e os castelos, organizando entre elas concursos e competições.

Por isso – atenção às quinas!

E não se desdenhe o livro de quina.